
O uso de chatbots como fonte de informação política, e até como guia de voto, deixou de ser uma hipótese distante e passou a preocupar especialistas e autoridades eleitorais em diferentes países. Pesquisas recentes mostram que uma parcela significativa do eleitorado está disposta a considerar, ou mesmo seguir, recomendações feitas por ferramentas de inteligência artificial como ChatGPT e Gemini, inaugurando um novo desafio para a integridade dos processos democráticos.
Na Holanda, que realizou eleições em outubro de 2025, um estudo da Universidade de Amsterdã revelou que 10% dos eleitores afirmaram estar propensos a votar de acordo com sugestões de chatbots, enquanto outros 13% não descartaram essa possibilidade. O fenômeno é mais acentuado entre jovens de 18 a 34 anos, faixa em que 17% disseram que seguiriam as recomendações e 18,5% responderam “talvez”. Entre eleitores acima de 55 anos, o índice cai para 6%.
No Chile, o cenário se mostrou ainda mais avançado. Pesquisa realizada após as eleições do fim de 2025 indicou que 27% dos eleitores utilizaram chatbots para discutir o pleito, percentual que chegou a 44% entre pessoas de maior renda. Já nos EUA, um estudo do MIT com 2.400 eleitores apontou que interações com modelos de IA politicamente inclinados foram capazes de deslocar preferências de voto em níveis superiores ao impacto médio de anúncios eleitorais recentes.
Os dados, no entanto, vêm acompanhados de alertas. Estudos identificaram vieses, concentração excessiva de recomendações em poucos partidos e taxas relevantes de informações incorretas. No Brasil, onde o uso de IA para aprendizado é elevado, testes com chatbots sobre as eleições de 2026 reforçam a necessidade de regulação e transparência sobre como essas ferramentas operam e influenciam escolhas políticas.