Congresso
Carlos Moura/Agência Senado

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) fez duras críticas ao Congresso Nacional em sua mensagem de Ano-Novo, divulgada na segunda-feira (29). No documento, a instituição afirma que 2025 foi marcado por “profundas tensões e retrocessos sociais” e aponta ações do Legislativo como motivo de “entristecimento e preocupação”.

“No âmbito da convivência democrática, o ano de 2025 foi marcado por profundas tensões e retrocessos sociais, que deixaram feridas abertas no tecido social”, diz a carta. Segundo a CNBB, decisões tomadas ao longo do ano “fragilizaram seriamente a confiança nas instituições” e desafiaram a construção de uma sociedade mais justa.

Críticas ao Congresso e defesa dos povos indígenas

Entre os exemplos citados, a CNBB menciona a flexibilização da Lei da Ficha Limpa, a aprovação do Marco Temporal e mudanças na Lei Geral do Licenciamento Ambiental. Para a entidade, essas medidas representam desrespeito aos povos indígenas e tradicionais e sinalizam retrocessos na proteção de direitos.

A carta também faz referência direta à atuação de parlamentares, ao mencionar a “perda de decoro e a falta de responsabilidade por parte de algumas autoridades, especialmente do nosso Congresso Nacional”.

Juros, desigualdade e violência

O documento amplia a crítica para além do Legislativo e cita como pontos negativos de 2025 o pagamento considerado excessivo de juros e amortizações da dívida pública, o enfraquecimento da ética na vida pública, o aumento da corrupção e a persistência da desigualdade social.

A CNBB também destaca o crescimento da violência, “especialmente o feminicídio e outros crimes motivados pela intolerância”, além do avanço do uso de drogas e de “economias ilícitas”.

“Discursos de ódio, manipulação da verdade, violências, radicalismos ideológicos e interesses particulares não podem se sobrepor ao bem comum”, afirma o texto.

Defesa da democracia e posições da Igreja

Assinada pela presidência da CNBB, a carta reafirma a defesa da democracia, definida como “patrimônio do povo brasileiro” que precisa ser cuidado e promovido. A instituição também reitera a posição contrária da Igreja Católica à legalização do aborto e a defesa da vida desde a concepção.

Entre os pontos positivos do ano, o documento cita a retirada de tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, a estabilidade da inflação e a realização da COP30, prevista para Belém (PA).

Ao final, a CNBB deseja que 2026 seja marcado por “paz desarmada e desarmante, humilde e perseverante”, e defende a reconstrução de vínculos sociais e institucionais como caminho para o próximo ano.

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