Milei
Reprodução/Redes Sociais

Uma comissão de investigação da Câmara dos Deputados da Argentina concluiu que a participação do presidente Javier Milei no episódio da criptomoeda $LIBRA é “compatível com uma presunta estafa”, classificação equivalente a fraude no Código Penal argentino.

O relatório atribui responsabilidade política a Milei e à irmã, Karina Milei, secretária-geral da Presidência, e recomenda que o Congresso avalie se houve mau desempenho de funções, etapa inicial para um eventual processo de impeachment.

O documento foi entregue ao plenário e enviado também à Justiça, onde já tramitam ações sobre o caso.

O que aconteceu com a $LIBRA

O episódio ocorreu em fevereiro, quando Milei publicou em sua conta oficial na rede X um post divulgando a criptomoeda recém-criada. Poucos minutos depois, o ativo — até então sem histórico de negociação — disparou de aproximadamente US$ 0,25 para mais de US$ 5. Horas depois, colapsou, gerando perdas milionárias a investidores argentinos e estrangeiros.

Investigações apontam que grandes carteiras compraram o ativo minutos após o lançamento, em operações automatizadas. Especialistas afirmam que o movimento é típico de um esquema conhecido como rug pull, no qual os primeiros detentores de um token vendem suas posições após inflar artificialmente o preço.

Resistência do governo e ausência de depoimentos

A comissão registrou que nem Javier Milei nem Karina Milei compareceram ao Congresso quando convocados. Interlocutores comerciais, como o empresário norte-americano Hayden Mark Davis, responsável pela Kelsen Ventures, também foram mencionados no relatório, que cita contatos dele com integrantes do governo e projetos de tokenização vinculados à administração atual.

O governo afirma que Milei não participou da criação da criptomoeda, que apenas compartilhou o projeto e que apagou a publicação ao tomar conhecimento dos riscos. O presidente tem repetido que os investidores assumiram voluntariamente a operação e comparou o caso a perdas em um cassino.

Panorama político para Milei

Desde o início do escândalo, partidos da oposição apresentaram ações penais e pedidos de impeachment. A juíza federal María Servini conduz investigação criminal sobre suspeitas de fraude, violação da Lei de Ética Pública e eventual associação ilícita. Há também denúncias apresentadas nos Estados Unidos, onde investidores pedem apuração do FBI.

A partir de 10 de dezembro, com a posse da nova legislatura, Milei deve enfrentar um cenário mais favorável no Congresso. O bloco governista e aliados têm condições de barrar a abertura de um processo de destituição, mas o caso permanece como foco de desgaste contínuo para a Casa Rosada.

O relatório reforça que o episódio extrapolou o universo das criptomoedas e passou a testar os limites do uso da imagem presidencial em iniciativas privadas, tornando-se um dos temas centrais da disputa política argentina em 2025.

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