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Laura Fernandez venceu as eleições presidenciais da Costa Rica com 42% dos votos, derrotando no primeiro turno o economista Alvaro Ramos, que obteve 33%. A vitória dispensa segundo turno e marca uma guinada política significativa no país centro-americano, historicamente reconhecido por sua estabilidade democrática.

A campanha de Fernandez centrou-se no combate ao narcotráfico e à violência, problemas que atingiram patamares inéditos na Costa Rica. Sob o governo de Rodrigo Chaves, aliado político da presidente eleita, a taxa de homicídios alcançou 17 por 100 mil habitantes, o maior índice da história nacional. Autoridades atribuem a escalada à expansão de rotas do tráfico internacional.

Para enfrentar a crise, Fernandez propõe medidas inspiradas no presidente salvadorenho Nayib Bukele: construção de uma megaprisão de segurança máxima, endurecimento de penas e estado de emergência em áreas críticas. O próprio Bukele telefonou para cumprimentá-la horas após a divulgação dos resultados.

A proximidade entre Fernandez e Chaves, impedido constitucionalmente de se reeleger, preocupa a oposição, que acusa o presidente de tentar governar nos bastidores. A presidente eleita reivindica abertamente o legado político de Chaves e declarou vitória em ligação televisionada com ele.

Fernandez também busca maioria parlamentar para promover reformas constitucionais, acendendo alertas sobre possíveis mudanças no equilíbrio de poderes. O ex-presidente Oscar Arias, Nobel da Paz, afirmou que “a sobrevivência da democracia está em jogo”.

A eleição costa-riquenha insere-se em dinâmica regional favorável a Washington. Desde o retorno de Trump, a América Latina registrou mudanças políticas alinhadas aos interesses norte-americanos: Peru sob presidente interino de direita, Chile com líder de extrema direita, Honduras governada por aliado explícito de Trump, e Bolívia com presidente de centro-direita após duas décadas de governos de esquerda.

Somam-se a esse grupo países já alinhados como El Salvador, Equador e Argentina. Na Venezuela, após a saída de Maduro, Trump elogiou a presidente interina Delcy Rodriguez e vislumbra até acordo com Cuba.

A Costa Rica, posicionada estrategicamente nas rotas migratórias, torna-se peça importante no tabuleiro da doutrina Monroe renovada por Trump, que busca consolidar a América Latina como esfera de influência exclusiva dos Estados Unidos.

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