Divulgação

Oito anos após conceber a ideia inicial, Vince Gilligan, o aclamado criador das séries de culto “Breaking Bad” e “Better Call Saul”, retorna à televisão com seu primeiro projeto totalmente fora daquele universo: “Pluribus”. A nova série, que estreia no Apple TV, marca o retorno de Gilligan à ficção científica, o gênero que lançou sua carreira em “Arquivo X”, e promete ser uma das produções mais inteligentes e divertidas do ano, com uma mistura de humor ácido, mistério e comentários sociais atuais.

A premissa é simples, mas intrigante. “A ideia de uma mulher que é a pessoa mais triste do mundo e que decide que ela precisa salvar o mundo da felicidade me interessou”, explicou Gilligan em entrevista ao G1.

A protagonista, Carol Sturka, é interpretada pela talentosa Rhea Seehorn, conhecida por seu papel como a advogada Kim Wexler em “Better Call Saul”. Originalmente, o criador planejava que o personagem principal fosse um homem. A mudança de gênero ocorreu justamente pela relação de trabalho e admiração que Gilligan desenvolveu por Seehorn durante as filmagens da série anterior. “Eu pensava: ‘Uau. Ela é muito boa. Talvez eu devesse pegar essa série sobre um cara e transformar em uma sobre uma mulher e Rhea poderia interpretá-la’. E foi mais ou menos assim que ela foi concebida”, explica o americano.

Distopia

“Pluribus” se passa em um mundo onde, após um evento cataclísmico, as pessoas estão subitamente e inexplicavelmente felizes o tempo todo. Carol Sturka, uma autora best-seller de romances de fantasia, é uma das poucas que parecem imunes a essa felicidade compulsória. Ela é cínica, cáustica e infeliz com seu trabalho, chegando a descrever seus leitores em privado como “um bando de burros”. Essa atitude sarcástica e seu ceticismo irônico a tornam a heroína ideal para um mundo que, aos seus olhos, se tornou um pesadelo.

A série é descrita uma mistura de clássicos da ficção científica, evocando George Orwell (com seu “Grande Irmão” e a ameaça de vigilância) e “Invasores de Corpos” (pela substituição ou infecção da essência humana). A distopia da felicidade encontra um tom único ao misturar a tensão e o bizarro com a comédia.

Rhea Seehorn está perfeitamente em sintonia com a voz distinta de Gilligan, entregando uma atuação que equilibra emoções genuínas e o absurdo da trama.

A heroína relutante

Apesar de seu temperamento rabugento, Gilligan defende que o coração de Carol “está no lugar certo, muito mais do que o de Walter White estava”. Sua missão de salvar o mundo da felicidade não é motivada pela fama.

“Ela quer ser uma heroína muito contra a própria vontade, de uma forma relutante, para fazer um mundo melhor, mas ela deseja que fosse outra pessoa a fazer isso,” explica Gilligan.

A série, cujos três primeiros episódios já estão disponíveis no AppleTV, com o restante da temporada de nove capítulos sendo lançado semanalmente, também traz de volta a localização familiar de Albuquerque, Novo México, que foi cenário de “Breaking Bad” e “Better Call Saul”.

Com reviravoltas sagazes, a série de Gilligan e Seehorn é um apelo à humanidade e, de forma divertida, termina cada episódio com o aviso: “Esta série foi feita por humanos”, um aceno ao conceito de que a inteligência artificial pode criar conteúdo, mas que a genialidade, a acidez e o toque humano de Gilligan continuam inimitáveis.

Veja também