Foto: Pexels

O anúncio do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, no último domingo (21), de que o Reino Unido reconhece formalmente a Palestina como Estado, inaugurou uma nova fase do debate internacional sobre a solução de dois Estados no Oriente Médio. A decisão foi acompanhada por Canadá, Austrália e Portugal e deve inspirar outros países, como a França, a reforçar esse movimento durante a Assembleia Geral da ONU em Nova York. O gesto amplia a legitimidade diplomática da Autoridade Palestina e pressiona Israel em um momento de escalada militar em Gaza e avanço de assentamentos na Cisjordânia.

O significado do reconhecimento vai além do campo simbólico. O hasteamento da bandeira palestina na embaixada recém-inaugurada em Londres, um dia após o anúncio britânico, foi descrito pelo embaixador Husam Zomlot como “um novo capítulo” e “a correção de uma injustiça histórica”. Embora a Palestina não detenha soberania plena sobre seu território nem controle sobre sua segurança, o respaldo de potências do G7 sinaliza que a comunidade internacional está disposta a reabrir caminhos para negociações de paz. Para líderes palestinos, o movimento legitima a autodeterminação e insere novamente a pauta no centro da diplomacia mundial.

Esse realinhamento acontece em paralelo à Conferência Internacional de Alto Nível para a Solução Pacífica da Questão da Palestina, convocada por França e Arábia Saudita. O encontro, realizado nesta segunda-feira (22) na ONU, reúne líderes como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e busca ampliar a adesão de países ao reconhecimento do Estado palestino. O Brasil já é um dos cerca de 150 países que reconhecem a Palestina, mas a adesão de aliados históricos dos Estados Unidos dá um peso inédito à iniciativa. Israel e Washington, entretanto, rejeitam terminantemente a medida. O premiê israelense Benjamin Netanyahu classificou o gesto como “uma recompensa ao terrorismo” e reafirmou que não permitirá a criação de um Estado palestino.

A posição americana encontra eco na Alemanha, que se recusa a aderir ao movimento sob a justificativa de que os pré-requisitos para o reconhecimento não estão cumpridos. Para Berlim, a medida deveria ser o passo final de um processo de paz – um horizonte cada vez mais distante diante da ofensiva israelense em Gaza e do impasse político. Ainda assim, pesquisas revelam que a maioria dos alemães apoia o reconhecimento, aumentando a pressão sobre o governo.

Na prática, o avanço diplomático recoloca a Palestina no centro da geopolítica global, criando constrangimentos para países que insistem em manter o status quo e reforçando o isolamento de Israel em fóruns multilaterais. Mesmo sem garantir soberania imediata, o reconhecimento dá à Palestina um capital político renovado.

Veja também