FED/USA

O Federal Reserve (FED) reduziu, nesta quarta-feira (10), a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para o intervalo de 3,50% a 3,75%, em uma decisão marcada por divergências internas e pela sinalização de que o ciclo de cortes pode ser interrompido. Três membros do comitê votaram contra a redução, enquanto as novas projeções indicam apenas mais um corte previsto para 2026, mantendo a perspectiva cautelosa apresentada em setembro.

A decisão foi tomada com base em indicadores ainda incompletos. Os dados oficiais de inflação e emprego mais recentes são de setembro, consequência da paralisação de 43 dias do governo federal, e mostram inflação em 2,8% e desemprego em 4,4%. No comunicado, o FED afirmou que a continuidade dos ajustes dependerá de dados futuros, reforçando que a política monetária não segue um trajeto predefinido.

Na coletiva, o presidente da instituição, Jerome Powell, disse que os cortes acumulados desde setembro colocam a taxa de fundos federais dentro da faixa estimada como neutra, justificando uma postura mais observadora. Powell ressaltou que o comitê pretende avaliar a evolução da economia antes de avançar em novas decisões, especialmente diante da desaceleração gradual do mercado de trabalho e da inflação ainda acima da meta de 2%.

A divisão no comitê tornou-se evidente na votação. Austan Goolsbee (Chicago) e Jeffrey Schmid (Kansas City) defenderam a manutenção da taxa, enquanto Stephen Miran voltou a apoiar uma redução maior, de 0,50 ponto. O gráfico de pontos reforça a dispersão de visões: seis formuladores não projetavam cortes nesta reunião, e sete não esperam novos cortes em 2026.

Expectativas para 2026

As projeções econômicas divulgadas pelo FED indicam crescimento de 2,3% no próximo ano, acima da tendência, com inflação recuando para 2,4% e desemprego estável em 4,4%. As estimativas sugerem que a autoridade monetária vê condições de expansão mesmo com juros mais altos, mas não considera seguro acelerar reduções.

A reação dos mercados foi moderada: alta nas bolsas, queda nos rendimentos dos Treasuries e desvalorização do dólar. Investidores interpretaram o comunicado como sinal de pausa, apesar de expectativas anteriores de novos cortes em 2026.

A condução da política monetária entra agora em uma fase de dependência direta dos dados de inflação e emprego. Em um ano eleitoral, o ritmo da economia e o custo do crédito tendem a influenciar debates públicos, aumentando a sensibilidade das decisões do Fed.

Se os próximos indicadores mostrarem desaceleração sustentada da inflação, o cenário de cortes adicionais poderá ganhar força. Caso contrário, a pausa tende a se prolongar, mantendo juros elevados por mais tempo e ampliando a incerteza sobre o ritmo da recuperação econômica.

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