
A negociação de delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, avança sob pressão de investigadores e pode ganhar contornos mais amplos do que o inicialmente pretendido por sua defesa. Segundo apuração do jornalista Valdo Cruz, para seu blog no G1, interlocutores do empresário afirmam que ele deverá responder a todas as perguntas da investigação, descartando a possibilidade de uma delação seletiva.
De acordo com essas fontes, Vorcaro tem consciência de que sua situação jurídica se agravou e que não há espaço para acordos parciais. A condução do caso pelo ministro André Mendonça, relator no Supremo Tribunal Federal (STF), reforça esse cenário. Mendonça tem sinalizado que todos os fatos precisarão ser esclarecidos, enquanto a atuação conjunta da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República reduz a margem para negociações informais.
Ainda segundo Cruz, o empresário recebeu seu advogado, Sérgio Leonardo, na Superintendência da Polícia Federal durante o fim de semana, em reuniões voltadas à estruturação do acordo. A defesa também conta com José Luís de Oliveira Lima, conhecido como Juca, com experiência em processos de colaboração premiada.
Já Lauro Jardim, em O Globo, indica que o processo deve ocorrer de forma célere. A expectativa entre envolvidos é de que o intervalo entre a assinatura do acordo e sua homologação leve cerca de 90 dias, com possível conclusão até o fim de junho. O acordo está sendo negociado diretamente com a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República, e dependerá da validação de Mendonça.
Entretanto, apuração de Caio Junqueira, na CNN, aponta que o conteúdo da delação pode incluir temas sensíveis. Investigadores avaliam explorar eventuais comunicações entre o ministro Alexandre de Moraes e a cúpula do Banco Central durante o processo de liquidação do Banco Master.
A linha de apuração inclui contratos firmados entre o banco e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Moraes, além de reuniões e pareceres técnicos prestados à instituição. O escritório afirma que atuou apenas em questões de compliance.
Há, contudo, entraves potenciais. A proximidade entre o procurador-geral Paulo Gonet e Moraes é vista como possível obstáculo por investigadores. Além disso, a inclusão de ministros do STF em delações depende de autorização da própria Corte. Um precedente ainda não testado, que pode influenciar os rumos do caso.