Rafael Ribeiro/CBF

A primeira excursão da Seleção Brasileira pela Ásia sob o comando de Carlo Ancelotti deixou claro que há um time em construção, com lampejos de grandeza e vulnerabilidades expostas. Na Data FIFA de outubro, o Brasil goleou a Coreia do Sul por 5 a 0, mas sofreu uma virada dramática para o Japão, perdendo por 3 a 2. A disparidade das performances enseja cautela há menos de um ano da Copa do Mundo de 2026.

Ancelotti minimizou o peso de falhas individuais, mas destacou a dificuldade da equipe em lidar com momentos de pressão. “Os erros individuais não afetam a presença de um jogador. O que temos que avaliar é a reação da equipe depois do primeiro erro, que não foi boa”, afirmou. Casemiro, capitão do time, resumiu o balanço como “positivo”, mas admitiu que os 45 minutos finais contra o Japão “deixaram um gosto amargo”. Ele defendeu equilíbrio: “Não é porque ganhamos da Coreia que seremos campeões, nem porque perdemos do Japão que perderemos a Copa”.

Destaques individuais 

No setor ofensivo, Rodrygo foi o nome de maior impacto. Atuou pela esquerda e pelo meio e mostrou versatilidade. Estêvão, em sua estreia, transbordou personalidade e marcou dois gols contra os coreanos, quase assegurando sua vaga na lista final. Outros que se destacaram foram Bruno Guimarães, com atuações sólidas no meio-campo, Lucas Paquetá, decisivo com duas assistências contra o Japão, e Gabriel Martinelli, que aproveitou sua chance com intensidade.

No entanto, a defesa foi palco de más atuações. Fabrício Bruno teve atuação desastrosa contra o Japão, com falha no primeiro gol e um gol contra. Beraldo alternou entre contribuir no gol brasileiro e falhar na marcação do terceiro gol japonês. Hugo Souza, em sua estreia no gol, não conseguiu dar segurança e quase sofreu outro gol após saída falha. Carlos Augusto, testado na lateral esquerda, também não convenceu.

A impressão que fica é a de um Brasil com enorme potencial ofensivo, que parece prescindir de Neymar, mas ainda frágil na estrutura defensiva. Ancelotti segue com janela aberta para testes, mas o tempo urge: em novembro, contra Senegal e Tunísia, a equipe precisa encontrar respostas para chegar à Copa com solidez.

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