
O diretor espanhol Oliver Laxe, responsável pelo filme Sirāt, causou repercussão internacional ao comentar de forma crítica a presença do cinema brasileiro entre os indicados ao Oscar 2026.
Em entrevista concedida a um programa de televisão na Espanha na noite da quinta-feira (22), o cineasta sugeriu, de forma irônica, que a indicação de O Agente Secreto, produção de Kleber Mendonça Filho com quatro indicações ao prêmio, estaria mais associada à força numérica de representantes do país do que a critérios artísticos.
“Há muitos brasileiros na Academia e nós os adoramos, mas eles são ultranacionalistas. Acho que se os brasileiros submetessem um sapato ao Oscar, todos votariam nele”, afirmou o diretor, sem mencionar que dos 10 mil membros da Academia, grupo responsável por votar nas indicações e vitórias do Oscar, menos de 70 são brasileiros.
As declarações ocorreram no contexto da disputa pelo Oscar de Melhor Filme Internacional, categoria em que Sirāt concorre ao lado de O Agente Secreto. O comentário foi interpretado por parte do público brasileiro como desdém ao filme nacional e ao processo de escolha da Academia. A fala ganhou ampla circulação nas redes e foi replicada em perfis ligados ao cinema internacional, ampliando o alcance da controvérsia.
Brasileiros invadem as redes
Desde então, usuários passaram a comentar em massa nas redes sociais oficiais de Sirāt, com mensagens que questionavam a produção de Laxe, defendiam o cinema nacional e rebatiam o tom adotado pelo diretor espanhol. Houve também manifestações destacando a trajetória recente do Brasil em festivais internacionais e a diversidade de estilos e narrativas presentes nas produções indicadas.
O episódio ocorre em um momento de visibilidade inédita para o cinema brasileiro no Oscar. O Agente Secreto não apenas disputa a vaga de Melhor Filme Internacional como também aparece entre os indicados em outras categorias relevantes, ampliando a presença do país na premiação e reforçando a leitura de um ciclo positivo para a produção audiovisual nacional.
Sobre Sirāt
Indicado nas categorias de Melhor Filme Internacional e Melhor Som, Sirāt acompanha a jornada de um pai e um filho que chegam a uma rave nas montanhas do Marrocos em busca de Mar, filha e irmã desaparecida meses antes em uma dessas festas de duração indefinida. Cercados por música eletrônica, paisagens áridas e uma sensação crua de liberdade, os dois distribuem a foto da jovem entre os frequentadores, enquanto a esperança de encontrá-la vai se dissipando.
Apesar do desgaste físico e emocional, pai e filho persistem e seguem um grupo de participantes rumo a uma última festa no deserto. À medida que avançam por um cenário escaldante e inóspito, a jornada se transforma em um confronto direto com os próprios limites, deslocando a narrativa do desaparecimento para uma experiência de resistência, perda e transformação.
O filme teve destaque no circuito internacional ao dividir o Prêmio do Júri no Festival de Cannes 2025 e foi escolhido para abrir a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. A produção tem assinatura da El Deseo, produtora dos irmãos Pedro Almodóvar e Agustín Almodóvar, e distribuição no Brasil pela Retrato Filmes, com estreia prevista para 26 de fevereiro nos cinemas.