New Yorker
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A série documental “The New Yorker: 100 anos de História, dirigida por Marshall Curry, estreia nesta segunda-feira (8) no Brasil pela Netflix. A produção marca o centenário da revista norte-americana e apresenta o funcionamento interno de uma das redações mais influentes do jornalismo contemporâneo. O filme acompanha o processo de produção da edição comemorativa de fevereiro de 2025 e revisita momentos que definiram a identidade da publicação ao longo de um século.

Olhar de Marshall Curry sobre a redação

Curry e sua equipe passaram um ano dentro da revista, observando reuniões de pauta, decisões editoriais e etapas de apuração e edição. O diretor relata que buscou registrar a dinâmica profissional de um grupo acostumado a prazos rígidos, mas encontrou um ambiente menos frenético do que o imaginado, sem os conflitos frequentemente retratados em bastidores ficcionais ou em documentários sobre outras publicações.

O documentário apresenta figuras centrais da revista, entre elas David Remnick, editor-chefe desde 1998, e acompanha repórteres e editores em deslocamentos, entrevistas e processos de checagem. A atriz Julianne Moore narra a produção, que inclui depoimentos de colaboradores como Jesse Eisenberg, Chimamanda Ngozi Adichie, Sarah Jessica Parker e Molly Ringwald.

A construção histórica de uma revista centenária

A produção revisita a origem da New Yorker, fundada nos anos 1920 como revista de humor, e a transformação gradativa rumo ao jornalismo literário e investigativo. O documentário recupera marcos editoriais, como o artigo de John Hersey sobre Hiroshima, publicado após a Segunda Guerra Mundial, decisivo para consolidar a cobertura internacional da revista. Também retoma textos de James Baldwin, que abriram espaço para perspectivas negras no debate público norte-americano durante o movimento pelos direitos civis.

A narrativa destaca ainda o impacto de “A Sangue Frio”, de Truman Capote, cuja publicação levou ao fortalecimento do departamento de checagem de fatos, hoje referência no mercado editorial.

O filme acompanha editores como Françoise Mouly, responsável pelas capas, enquanto desenvolvem a edição do centenário. Também registra repórteres em campo, como Jon Lee Anderson em cobertura internacional e Ronan Farrow investigando operações de vigilância do governo norte-americano.

A produção menciona de forma breve debates internos recentes, incluindo discussões sindicais, reestruturações na Condé Nast e divergências sobre a cobertura de temas internacionais. Segundo Curry, não foram observados conflitos permanentes na redação durante as gravações, embora o documentário reconheça que a revista enfrenta desafios em um mercado de mídia pressionado por mudanças econômicas e tecnológicas.

O futuro da publicação

Com cerca de 1,25 milhão de assinantes, a New Yorker mantém modelo editorial baseado em reportagens longas, ensaios, perfis, crítica cultural e cartuns. Em entrevistas para o filme, colaboradores afirmam que a longevidade da revista depende de manter a combinação entre rigor, estilo e curadoria autoral que se tornou marca da publicação.

O documentário encerra discutindo o papel da revista em um cenário de declínio do jornalismo impresso, destacando iniciativas que buscam manter relevância sem recorrer a estratégias de massificação ou diluição editorial.

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