Trump
The White House

Ao longo do último ano, os Estados Unidos realizaram ações militares diretas contra alvos em ao menos sete países, inaugurando uma nova fase de sua política externa sob a liderança do presidente Donald Trump. Bombardeios pontuais, operações de captura e ataques seletivos passaram a ser apresentados pelo governo norte-americano como parte de uma “doutrina de segurança preventiva”, que dispensa autorizações multilaterais e prioriza decisões unilaterais em nome do combate a ameaças consideradas estratégicas.

Segundo a cobertura de veículos internacionais, as ações atingiram países do Oriente Médio, da África e da América Latina, com justificativas que variam entre combate ao terrorismo, repressão ao narcotráfico, proteção de rotas comerciais e defesa de interesses energéticos. Em comum, os episódios revelam uma mudança de abordagem: a ampliação do uso da força militar fora de contextos clássicos de guerra e sem mediação de organismos internacionais.

Da dissuasão à ação direta

Analistas ouvidos por agências como a Reuters apontam que a nova doutrina rompe com a lógica de dissuasão predominante nas últimas décadas. Em vez de ameaças diplomáticas ou sanções prolongadas, o governo Trump passou a adotar ações militares rápidas, com impacto imediato e alto valor simbólico, mesmo em regiões onde os Estados Unidos não mantêm conflitos armados declarados.

Esse movimento ficou mais evidente com operações recentes na América Latina, incluindo a ação que resultou na captura do líder venezuelano Nicolás Maduro, levada a cabo sem coordenação com instâncias multilaterais. Especialistas em política internacional avaliam que a estratégia busca demonstrar capacidade de projeção de poder e estabelecer novos parâmetros de atuação global dos EUA.

A escalada retórica e novas ameaças de Trump

Nos últimos dias, Trump ampliou o alcance dessa doutrina também no discurso público. Em declarações feitas após a audiência judicial de Maduro em Nova York, o presidente norte-americano insinuou a possibilidade de medidas militares na Colômbia, afirmou que o México precisa “se organizar” no combate ao narcotráfico e declarou que os Estados Unidos “precisam da Groenlândia”, território autônomo ligado à Dinamarca e considerado estratégico por sua posição geopolítica no Ártico.

A combinação entre ações militares recentes e ameaças abertas a países que não são oficialmente inimigos dos EUA acendeu alertas em governos aliados e em centros de análise internacionais. A CNN dos Estados Unidos observou que, ao incluir Colômbia, México e Groenlândia em seu discurso de segurança, Trump amplia a zona de tensão para além de conflitos tradicionais e introduz incertezas nas relações com parceiros históricos.

Reações internacionais e limites legais

Governos europeus e latino-americanos passaram a expressar preocupação com o enfraquecimento de normas do direito internacional, especialmente aquelas relacionadas à soberania e ao uso da força. Diplomatas ouvidos pela imprensa internacional destacam que a ausência de consultas prévias a organismos como a Organização das Nações Unidas tem reduzido os espaços de mediação e aumentado o risco de reações em cadeia.

A Reuters também aponta que, internamente, há debates nos Estados Unidos sobre os limites constitucionais dessas ações, sobretudo quando não há autorização explícita do Congresso. Parlamentares de diferentes partidos questionam até que ponto a nova doutrina amplia excessivamente os poderes do Executivo em matéria de política externa e defesa.

Impactos geopolíticos em curso

Especialistas avaliam que a principal consequência dessa nova fase não está apenas nos ataques já realizados, mas no precedente que ela estabelece. Ao normalizar ações militares preventivas em múltiplas regiões, os Estados Unidos reconfiguram expectativas globais sobre seu papel e incentivam respostas defensivas de outros atores estatais.

O cenário atual indica que a política de segurança norte-americana entrou em um ciclo de maior imprevisibilidade, no qual decisões militares e declarações presidenciais passam a operar de forma integrada. Com novas ameaças sendo publicamente colocadas e ações recentes ainda repercutindo, a doutrina de Trump tende a permanecer como um fator central de instabilidade e reordenamento das relações internacionais nos próximos meses.

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