Ricardo Stuckert

O encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente americano Donald Trump, ocorrido em Kuala Lumpur no último domingo (26), gerou repercussões imediatas tanto na política interna quanto no mercado. No Palácio do Planalto e no entorno de Jair Bolsonaro (PL), a reunião foi vista como uma clara derrota, consolidando Lula como o principal interlocutor do Brasil com Trump, um espaço antes ocupado primariamente por Eduardo Bolsonaro.

A avaliação da direita pragmática é que Lula conseguiu “consertar a bagunça” gerada pela extrema-direita, que articulou o “tarifaço” imposto pelos EUA em agosto (tarifas de 50% sobre mercadorias brasileiras). Eduardo Bolsonaro, ironicamente, está sendo tratado como “cabo eleitoral” do petista.

No campo econômico, o tom amistoso da reunião, descrita pelo chanceler Mauro Vieira como “positiva e descontraída” e por Lula como “surpreendentemente boa”, trouxe otimismo. Apesar de nenhum acordo ter sido anunciado, a expectativa de desbloqueio comercial e revisão das tarifas deve reduzir incertezas para investidores.

O empresariado brasileiro reagiu com entusiasmo. Integrantes da Confederação Nacional das Indústrias (CNI) já buscam o vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin, escalado por Lula para as tratativas, para discutir a suspensão das tarifas. O presidente da CNI, Ricardo Alban, manifestou, em entrevista ao Metrópoles, a convicção de que a questão das tarifas será solucionada após a conversa.

Caso as negociações avancem de forma crível, o mercado espera impacto positivo, incluindo a valorização do Real e alta setorial no Ibovespa, indicando que a diplomacia de Lula abriu a “fase prática das negociações” com os EUA.

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