EUA
The White House

Os Estados Unidos emitiram, na última quarta-feira (3), um alerta máximo para que todos os seus cidadãos deixem a Venezuela “imediatamente”. A orientação, divulgada pelo Departamento de Estado, reforça o nível 4 de risco — o mais alto na escala americana — e desaconselha qualquer deslocamento ao país sul-americano. O governo citou risco de detenção arbitrária, tortura, sequestro, terrorismo, aplicação imprevisível das leis locais, criminalidade, instabilidade política e fragilidade da infraestrutura de saúde e serviços públicos.

Além de desaconselhar viagens, o Departamento de Estado destacou que cidadãos americanos que permanecerem na Venezuela podem não receber assistência consular, já que a embaixada dos EUA em Caracas está fechada desde 2019. Diplomatas afirmam que a capacidade de intervenção é praticamente nula caso um americano seja detido ou impedido de deixar o país.

Escalada militar e suspensão de voos internacionais

O alerta ocorre após o governo norte-americano recomendar que o espaço aéreo venezuelano seja tratado como fechado, citando riscos associados ao aumento da atividade militar. A orientação levou companhias aéreas internacionais a suspender voos de e para a Venezuela nas últimas semanas, cenário que já vinha se deteriorando desde alertas anteriores sobre segurança na região.

Embora empresas como Iberia, TAP, Avianca, Latam Colombia, Turkish Airlines e Gol tenham interrompido as operações, algumas rotas seguem ativas, como as da Boliviana de Aviación, da colombiana Satena, além de empresas locais como Avior e a estatal Conviasa.

Pressão crescente sobre o governo Maduro

A relação entre os EUA e a Venezuela se agravou nos últimos meses. Washington ampliou operações contra embarcações suspeitas de tráfico no Caribe e endureceu acusações de que Nicolás Maduro lidera um esquema criminal transnacional, alegações que o governo venezuelano nega.

Maduro respondeu afirmando que os EUA estariam preparando um ataque ao país e intensificou discursos sobre “ameaças externas” e defesa da soberania nacional. Especialistas apontam que a troca de acusações e a movimentação militar colocam a região em alerta permanente.

Impactos para cidadãos e possíveis desdobramentos

A recomendação para saída imediata afeta não só viajantes americanos, mas também estrangeiros que dependem do tráfego aéreo internacional ou de estrutura consular para permanecer no país. Organizações humanitárias apontam que a deterioração da segurança e a escalada militar podem gerar novos impactos migratórios e agravar a vulnerabilidade da população venezuelana.

Analistas destacam que o alerta dos EUA consolida a avaliação de que a Venezuela vive um contexto de risco elevado, marcado por tensão institucional, instabilidade de governo e fragilidade de garantias legais para estrangeiros. O quadro coloca o país entre os destinos considerados mais perigosos do mundo por autoridades americanas.

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