
O governo dos Estados Unidos informou que pretende designar o grupo conhecido como Cartel de los Soles como “Organização Terrorista Estrangeira”. Segundo o secretário de Estado americano, Marco Rubio, o grupo estaria envolvido no tráfico de drogas para os EUA e a Europa e manteria vínculos com redes criminosas transnacionais. Rubio também afirmou que integrantes do cartel teriam utilizado estruturas do governo venezuelano para facilitar operações ilegais.
A classificação permitirá ampliar sanções, bloquear ativos e adotar medidas adicionais de investigação e rastreamento financeiro. De acordo com autoridades americanas, a formalização da designação deve ocorrer nos próximos dias, em meio à intensificação das ações dos Estados Unidos no Caribe sob o argumento de combate ao narcotráfico.
Estrutura atribuída ao cartel
O nome Cartel de los Soles é utilizado há anos por órgãos de investigação internacionais para descrever uma rede composta por militares e altos funcionários da Venezuela supostamente envolvidos em remessas de drogas. Especialistas afirmam que, em vez de um cartel estruturado da forma clássica, trata-se de um conjunto de operações dispersas que teriam como eixo a participação de setores do Estado venezuelano.
O Departamento de Justiça dos EUA já havia acusado, em anos anteriores, o presidente Nicolás Maduro e outros dirigentes do país de participação em esquemas de narcoterrorismo, com alegações de cooperação com grupos armados e redes de tráfico na região.
Consequências e cenário político
Com a designação, entidades e indivíduos associados ao grupo poderão ser alvo de medidas que dificultam transações bancárias, operações comerciais e movimentações internacionais. A nova classificação também deve reforçar o isolamento diplomático da Venezuela e ampliar pressões sobre o governo Maduro.
A iniciativa ocorre em um momento de aumento das tensões entre os dois países, marcado por operações militares americanas próximas à costa venezuelana e por declarações que apontam para o endurecimento da política externa dos EUA em relação a Caracas.
Até o momento, o governo venezuelano não divulgou reação oficial à decisão anunciada por Washington.