Os Estados Unidos e Israel aprofundaram neste domingo (1º) sua ofensiva militar contra o Irã, em uma escalada que já resultou na morte de 48 líderes do regime, na destruição de parte significativa da marinha iraniana e no fechamento temporário do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do fornecimento mundial de petróleo.
O aiatolá Alireza Arafi foi eleito líder supremo interino do Irã neste domingo, um dia após a morte do aiatolá Ali Khamenei, segundo informaram agências estatais iranianas. Arafi assumiu também a chefia do Conselho Interino de Liderança, órgão responsável por conduzir o processo de escolha do próximo líder supremo do país.
Em entrevista à Fox News, o presidente Donald Trump descreveu a operação como um sucesso sem precedentes. “Está avançando. Está avançando rapidamente. Ninguém consegue acreditar no sucesso que estamos tendo”, afirmou. Ao canal CNBC, Trump acrescentou que as operações militares estão “adiantadas em relação ao cronograma previsto”.
Mais cedo, o republicano publicou em sua rede social Truth Social que nove navios de guerra iranianos foram afundados e que os Estados Unidos seguem “em busca do restante” da frota. “Em breve estarão flutuando no fundo do mar”, escreveu. O Comando Central americano (CENTCOM) confirmou as informações e detalhou o afundamento de uma corveta da classe Jamaran no porto de Chabahar, no sul do Irã, no âmbito da chamada Operação Epic Fury.
A destruição da marinha iraniana mira diretamente a capacidade de Teerã de bloquear o Estreito de Ormuz. No sábado, navios da Guarda Revolucionária Islâmica transmitiram mensagens em canais de emergência declarando o fechamento do estreito e assumiram a responsabilidade por ataques a embarcações comerciais e petroleiros. Dados de rastreamento indicam que o tráfego marítimo na região foi severamente perturbado, embora um oficial americano tenha afirmado que algumas embarcações ainda conseguem passar.
Sinalização diplomática
Paralelamente à ofensiva militar, sinais de abertura diplomática emergiram de ambos os lados. Em entrevista à revista The Atlantic, Trump afirmou que a nova liderança iraniana demonstrou interesse em retomar negociações, e que ele concordou em dialogar. “Eles querem conversar, e eu concordei em conversar”, disse o presidente, sem precisar data ou formato para os contatos. Ele reconheceu, no entanto, que parte dos negociadores iranianos com quem os EUA tratavam nas rodadas recentes está entre as vítimas dos ataques: “A maioria dessas pessoas se foi. Algumas das pessoas com quem estávamos lidando se foram, porque aquilo foi um grande golpe.”
A mediação de Omã — país que historicamente serve de canal entre Washington e Teerã — voltou a ganhar protagonismo. O chanceler omanense Badr Albusaidi relatou, em comunicado do Ministério das Relações Exteriores do país, que o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, expressou abertura a “esforços sérios” para reduzir as tensões. Albusaidi defendeu um cessar-fogo imediato e a retomada do diálogo “de maneira que atenda às demandas legítimas de todas as partes”.
Trump disse ainda acreditar na possibilidade de uma mudança política interna no Irã, citando relatos de comemorações nas ruas do país e manifestações de apoio organizadas pela diáspora iraniana em cidades como Nova York e Los Angeles. Ao mesmo tempo, ressalvou que “a situação continua delicada.”
Brasil manifesta preocupação
Diante da escalada do conflito no Oriente Médio, o governo brasileiro emitiu nota na noite de sábado (28) manifestando “profunda preocupação” com os desdobramentos da crise. No documento, o Brasil reafirmou que o diálogo e a negociação diplomática “constituem o único caminho viável para a superação das divergências e a construção de uma solução duradoura”, sublinhando o papel das Nações Unidas na prevenção e na resolução de conflitos.
O Brasil apelou pela interrupção imediata das ações militares ofensivas e convocou todas as partes a observar o direito internacional. O país “condena quaisquer medidas que violem a soberania de terceiros Estados ou que possam ampliar o conflito, tais como ações retaliatórias e ataques contra áreas civis”, segundo o comunicado.
O governo também expressou solidariedade às nações vizinhas atingidas por ataques iranianos em 28 de fevereiro: Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Kuwait e Jordânia.
“Ao lamentar a perda de vidas civis, o Brasil expressa ainda solidariedade às famílias das vítimas. Enfatiza, a propósito, a obrigação dos Estados de assegurar a proteção de civis, em conformidade com o direito internacional humanitário.”
*Com informações da Agência Brasil