Groelândia
Christian Klindt Soelbeck/Ritzau Scanpix/via Reuters

Declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a Groenlândia nesta semana levaram governos europeus a intensificar articulações diplomáticas e discutir respostas conjuntas dentro da OTAN. O movimento ocorre em paralelo à consolidação do papel do secretário de Estado Marco Rubio como principal formulador e executor da política externa americana em temas estratégicos, incluindo o Ártico.

Segundo o jornal britânico The Guardian, a França iniciou conversas com aliados para avaliar possíveis respostas diplomáticas caso Washington avance além da retórica. Autoridades francesas classificaram como “grave” a hipótese de qualquer ação unilateral envolvendo a Groenlândia e alertaram que o tema ultrapassa uma disputa bilateral, afetando diretamente a estabilidade da OTAN.

Rubio no centro da estratégia americana

Veículos europeus destacam que Marco Rubio passou a ser visto como o principal articulador da postura agressiva dos EUA em relação a territórios estratégicos. Além de acumular funções-chave no governo Trump, Rubio tem defendido publicamente uma política externa baseada em pressão direta, controle de recursos estratégicos e redução do papel de mediações multilaterais.

Analistas ouvidos por jornalistas estrangeiros apontam que a retórica sobre a Groenlândia se insere no mesmo padrão adotado recentemente pelos EUA em relação à Venezuela, ao petróleo e a áreas consideradas sensíveis do ponto de vista geopolítico. Nesse contexto, Rubio aparece como o responsável por transformar discursos presidenciais em linhas operacionais de política externa.

Reação de aliados europeus e da OTAN

O governo da Dinamarca reiterou que a Groenlândia não está à venda e que qualquer decisão sobre o futuro do território cabe exclusivamente à população local. A posição foi endossada por aliados como Alemanha, Espanha, Noruega e Suécia, que defenderam o respeito à soberania territorial e ao direito internacional.

Dentro da OTAN, diplomatas relataram preocupação com o impacto das declarações de Trump — impulsionadas por Rubio — sobre a coesão do bloco. A avaliação predominante é que a normalização de ameaças ou pressões entre aliados fragiliza a credibilidade da aliança em um momento de disputas estratégicas com Rússia e China no Ártico.

Groenlândia, Ártico e precedentes perigosos

A Groenlândia ganhou importância estratégica nos últimos anos devido à abertura de rotas marítimas com o degelo, ao potencial de exploração de minerais críticos e à relevância militar da região. Para governos europeus, o problema central não é apenas o interesse americano no território, mas a forma como esse interesse é comunicado e operacionalizado.

Segundo analistas europeus, a atuação de Marco Rubio reforça a percepção de que os Estados Unidos passaram a tratar aliados de maneira transacional, deslocando o debate de fóruns multilaterais para negociações de força. Esse padrão é visto como um risco direto à arquitetura de segurança construída no pós-Guerra Fria.

Articulação diplomática em curso

Fontes citadas pelo The Guardian indicam que o tema já circula em reuniões informais de chanceleres europeus e em instâncias políticas da OTAN. A prioridade, segundo diplomatas, é estabelecer linhas vermelhas claras antes que declarações se convertam em iniciativas práticas.

Até o momento, não há anúncio de medidas concretas por parte de Washington. Ainda assim, a combinação entre as falas de Trump e o protagonismo de Marco Rubio levou a Europa a tratar a Groenlândia não como episódio isolado, mas como parte de uma mudança estrutural na política externa dos EUA, com impacto direto sobre a relação transatlântica.

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