
A temporada de 2025 do futebol brasileiro ainda não acabou – faltam as finais da Copa do Brasil -, mas já ostenta números expressivos, disputas simbólicas e episódios que reconfiguram o mapa competitivo da Série A. No centro das atenções, o Flamengo. O clube carioca não apenas conquistou o Brasileirão e igualou sua temporada mais vitoriosa da história, como também assumiu a liderança geral de vitórias na era dos pontos corridos, inaugurada em 2003. A campanha, comandada por Filipe Luís, foi a cereja de um ano em que o Rubro-Negro empilhou quatro títulos, Supercopa, Carioca, Libertadores e Brasileirão, repetindo o feito de 2020.
O Flamengo encerrou o torneio com 23 vitórias, somando agora 397 triunfos na era dos pontos corridos, um a mais que o São Paulo, rival direto na disputa histórica. O Tricolor, derrotado pelo Vitória na última rodada, perdeu a liderança estatística que mantinha desde 2007. Mesmo assim, ainda detém o recorde de pontos acumulados no período: 1.434 contra 1.428 dos rubro-negros. A diferença caiu para apenas seis pontos, e o Brasileirão de 2026 já começa com a expectativa de uma virada inédita.
A história dos pontos corridos mostra oscilações marcantes. O Cruzeiro liderou em 2003, seguido pelo Santos em 2004, até que o São Paulo assumiu a dianteira em 2007. O Flamengo, que chegou a ocupar a 14ª posição entre os times com mais vitórias em 2005, cresceu gradualmente e embalou sua arrancada a partir de 2019, culminando na escalada ao topo em 2025. No outro extremo da tabela histórica, o Fluminense encerrou o ano como o time com mais derrotas na era moderna: 311, ultrapassando Athletico-PR e Atlético-MG.
Nordeste em baixa
Se o topo da classificação histórica teve novos donos, a parte de baixo do Brasileirão mexeu profundamente com o Nordeste. Ceará e Fortaleza, que entraram na última rodada fora da zona de rebaixamento, caíram simultaneamente após derrotas para Palmeiras e Botafogo. A queda dupla é emblemática: desde 2003, quando o sistema de acesso e descenso se estabilizou, isso só havia acontecido com rivais regionais em raros momentos. O Ceará soma agora quatro rebaixamentos; o Fortaleza, cinco — entrando para o bloco dos clubes mais rebaixados na história recente, que tem América-MG, Coritiba, Goiás e Sport como recordistas, com sete quedas cada.

Enquanto Inter e Vitória escaparam com vitórias dramáticas diante de Bragantino e São Paulo, respectivamente, a repercussão das quedas cearenses reacendeu discussões sobre planejamento, investimentos e a dificuldade de manter competitividade em temporadas de forte oscilação técnica.
Na esteira dos resultados finais, outra figura central da temporada ocupou espaço no debate esportiv: Abel Ferreira. O técnico do Palmeiras encerrou 2025 sem títulos, apesar da segunda melhor campanha da história de um vice-campeão, com 76 pontos. Em entrevista após a vitória sobre o Ceará, Abel fez um balanço do ano, ressaltando o processo de reformulação do elenco, mas o destaque ficou para suas críticas à imprensa.
Visivelmente incomodado, o treinador classificou como “absurdo” o que chama de “narrativas inventadas” sobre seu salário, premiações e supostos privilégios. Acusou setores da mídia esportiva de distorcer informações e afirmou que o Palmeiras é tratado com desequilíbrio: “A imprensa não é contra o Palmeiras, mas 75% dela cria narrativas que nos prejudicam”, disse. Abel também enfatizou sua transparência contratual e elogiou a gestão do clube, afirmando que, mesmo sem títulos, o planejamento segue sólido e competitivo.

Do outro lado do protagonismo técnico, Filipe Luís, estreante como treinador em temporada cheia, rompeu a sequência recente de títulos de estrangeiros na elite nacional. De sete edições desde 2019, apenas três foram vencidas por brasileiros. Em 2025, apenas na rodada final a relação de técnicos chegou a 12 brasileiros e 8 estrangeiros — um retrato do intercâmbio crescente, mas que encontra resistência e adaptação local. Filipe, ao conquistar o Brasileirão, elogiou o impacto de estrangeiros no país, mas reforçou que estudo e dedicação superam nacionalidade: “Quem estuda não tem passaporte.”
O desempenho do Mirassol, comandado por Rafael Guanaes, foi um dos grandes destaques técnicos do ano. Com orçamento reduzido e estreante na Série A, o time terminou em quarto lugar e garantiu vaga direta na Libertadores. O estilo de jogo chamou atenção a ponto de Davide Ancelotti, técnico do Botafogo, afirmar que “ninguém na Europa joga como o Mirassol”.