
O incêndio de grandes proporções que atingiu o complexo habitacional Wang Fuk Court, no distrito de Tai Po, em Hong Kong, na tarde de quarta-feira (26), foi controlado pelas autoridades após mais de 24 horas de combate às chamas. Ainda assim, equipes de emergência seguem nas operações de resgate e busca por desaparecidos, enquanto o desastre já é considerado o mais grave em áreas residenciais da cidade em mais de 30 anos.
O fogo começou em um andaime externo de uma torre de 32 andares durante obras de manutenção e se espalhou rapidamente por sete das oito torres do conjunto, que abriga cerca de 2 mil apartamentos e mais de 4.600 moradores. A propagação foi descrita como excepcionalmente veloz, atingindo diferentes edifícios em sequência e dificultando o controle imediato da situação.
Até o momento, as autoridades confirmaram mais de 80 mortes. Entre as vítimas está um bombeiro de 37 anos que perdeu a vida durante a operação. Outras 61 pessoas permanecem hospitalizadas, sendo 15 em estado crítico, 27 em estado grave e 19 em condição estável. Inicialmente, 279 moradores foram considerados desaparecidos, mas parte deles foi localizada ao longo das buscas.
Mais de 900 pessoas precisaram ser encaminhadas para abrigos emergenciais montados em escolas e centros comunitários da região. Famílias seguem em busca de informações sobre parentes, enquanto voluntários e equipes de assistência prestam apoio aos desalojados.
Materiais inflamáveis e negligência
A investigação preliminar indica que o uso de materiais altamente inflamáveis nas estruturas externas contribuiu decisivamente para a rápida expansão do fogo. Andaimes de bambu, telas de proteção e placas de isopor fixadas às fachadas e próximas aos halls dos elevadores teriam funcionado como condutores das chamas entre os andares.
Três homens ligados à empresa responsável pelas reformas — dois diretores e um consultor técnico — foram presos sob suspeita de homicídio culposo e negligência grave. Há indícios de que os materiais utilizados não atendiam aos padrões mínimos de resistência ao fogo exigidos pelas normas locais.
Falhas de alerta e evacuação
Moradores relataram que não ouviram alarmes de incêndio e que a evacuação ocorreu de forma improvisada, com vizinhos alertando uns aos outros ao bater em portas e acionar campainhas. A fumaça densa e a falta de visibilidade teriam dificultado ainda mais a saída em diversos andares.
Autoridades confirmaram que em alguns pontos do prédio não foi possível manter contato imediato com pessoas que pediam socorro, o que dificultou as ações de resgate durante as primeiras horas do incidente.
Revisão emergencial e impacto urbano
Diante da tragédia, o governo local anunciou inspeções imediatas em todos os conjuntos habitacionais que passam por grandes reformas, além da revisão das normas de segurança contra incêndios em obras de grande porte.
Especialistas apontam que a combinação entre alta densidade urbana, proximidade entre edifícios e uso de materiais tradicionais, como andaimes de bambu, voltou a expor vulnerabilidades estruturais antigas, agora colocadas no centro do debate público.
O incêndio reabre a discussão sobre fiscalização, padrões construtivos e segurança em regiões extremamente povoadas, em um dos maiores centros financeiros e urbanos da Ásia.