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“Isca de raiva”, tradução de “rage bait”, foi escolhida como termo do ano pela Oxford University Press. A expressão se refere a conteúdos publicados nas redes sociais com a intenção de provocar indignação, estimular respostas imediatas e aumentar o engajamento de perfis ou plataformas. Segundo a instituição, o uso da expressão triplicou ao longo de 2025, refletindo mudanças no comportamento dos usuários e nos mecanismos que orientam a distribuição de conteúdo nas principais plataformas sociais.

A prática consiste em postar conteúdos deliberadamente provocativos, ofensivos ou frustrantes para mobilizar reações. Embora o mecanismo lembre o “clickbait”, amplamente utilizado na internet, a “isca de raiva” tem finalidade mais específica: gerar indignação como forma de ampliar alcance por meio de algoritmos que priorizam interações emotivas.

Crescimento nas redes e contexto da escolha

O avanço da expressão acompanha transformações recentes em plataformas sociais, que passaram a favorecer conteúdos que despertam emoções intensas, em especial negativas. Pesquisadores de mídia digital destacados em análises internacionais apontam que postagens que geram raiva tendem a manter usuários mais tempo conectados, o que fortalece a lógica de recomendação automatizada.

A Oxford indicou que a escolha do termo revela atenção crescente dos usuários a práticas de manipulação emocional, cada vez mais presentes no ambiente digital. Para a instituição, o vocabulário de 2025 reflete uma mudança de enfoque: das discussões sobre curiosidade e entretenimento para debates sobre influência, comportamento e saúde mental.

Finalistas e termos relacionados

Outras duas expressões chegaram à fase final. “Aura farming”, ou cultivo de aura, descreve a construção de uma persona carismática destinada a ampliar influência social. “Biohack” refere-se a esforços para otimizar o desempenho físico e mental por meio de alimentação, hábitos, rotinas ou tecnologias. As três expressões foram selecionadas após avaliação de especialistas e votação pública.

Nos últimos anos, os termos escolhidos têm se concentrado em fenômenos associados ao uso intensivo de redes sociais. Em 2024, o termo vencedor havia sido “brain rot”, usado para descrever o desgaste mental causado por rolagem contínua de telas. Em 2023, o destaque foi “rizz”, popularizada em comunidades online para falar sobre carisma.

Outros dicionários também divulgaram termos próprios para 2025. O Cambridge Dictionary elegeu “parassocial”, expressão usada para definir relações unilaterais estabelecidas por fãs com figuras públicas. O Collins Dictionary optou por “vibe coding”, prática que consiste em criar aplicativos e sites por meio de instruções fornecidas a uma inteligência artificial, sem escrever códigos manualmente.

Cultura digital e impactos futuros

Especialistas consultados por centros de pesquisa internacionais apontam que a popularização da “isca de raiva” tem implicações diretas em debates sobre desinformação, moderação de conteúdo e efeitos do engajamento emocional na política e na esfera pública. A tendência também influenciou discussões sobre regulação de plataformas e transparência algorítmica ao longo de 2025.

A escolha do termo reforça a percepção de que o vocabulário da cultura digital assume papel central na interpretação das mudanças sociais e comportamentais associadas ao ambiente online. Para analistas, o monitoramento desses termos ajuda a compreender os rumos da economia da atenção e os efeitos das tecnologias que moldam a vida cotidiana.

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