
O chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, tenente-general Eyal Zamir, afirmou nesta quinta-feira (5) que o país está avançando para a “próxima fase” no conflito contra o Irã, após uma série de ataques realizados nas últimas semanas. Segundo o comando militar israelense, a campanha já envolveu cerca de 2.500 operações aéreas e o uso de mais de 6.000 armamentos contra alvos considerados estratégicos do regime iraniano.
De acordo com Zamir, a nova etapa da ofensiva terá como foco ampliar a destruição de capacidades militares iranianas e atingir estruturas consideradas essenciais para a sustentação do regime. “Nesta fase, vamos desmantelar ainda mais o regime e suas capacidades militares”, afirmou o chefe militar israelense.
A declaração ocorre em meio a um momento de intensificação do conflito, que já provocou impactos na aviação regional, tensões diplomáticas e forte reação nos mercados de energia.
Pressão política dos EUA no conflito
Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump elevou o tom da pressão política sobre o Irã ao afirmar que Washington pretende participar da definição sobre quem deverá assumir a liderança suprema do país após a morte do aiatolá Ali Khamenei.
Em entrevista ao portal Axios, Trump declarou que considera “inaceitável” a hipótese de que o filho de Khamenei, Mojtaba Khamenei, assuma o posto de líder supremo. A declaração sinaliza que Washington pretende exercer influência direta na configuração política do país após o agravamento do conflito.
Embora o governo americano não tenha anunciado formalmente uma entrada direta na guerra, autoridades americanas têm ampliado o apoio militar a aliados na região e reforçado a presença estratégica no Oriente Médio.
Europa tenta manter postura defensiva
Países europeus também passaram a se envolver de forma indireta na crise, ainda que com cautela. Governos do continente têm enviado apoio militar e logístico para proteger interesses estratégicos e garantir a segurança de rotas comerciais, mas procuram evitar participação direta nos ataques contra o Irã.
Segundo autoridades europeias citadas por agências internacionais, a prioridade neste momento é conter uma escalada que possa transformar o confronto em um conflito regional de maiores proporções.
Apesar dessa postura, a intensificação das hostilidades já provoca efeitos concretos na região. Mais de 11 mil voos foram cancelados em dez países do Oriente Médio desde 28 de fevereiro, segundo dados da aviação internacional.
Impactos no mercado de energia
A escalada militar também provocou reação imediata nos mercados globais. O temor de interrupções no fornecimento de petróleo levou os preços do petróleo nos Estados Unidos a registrarem a maior alta diária desde maio de 2020.
A tensão geopolítica também pressionou as bolsas americanas, que registraram forte queda em meio ao receio de que o conflito afete cadeias globais de energia e comércio.
Analistas apontam que o risco central para o mercado energético é uma eventual ampliação das hostilidades para rotas estratégicas de transporte de petróleo, especialmente no Golfo Pérsico.
Uso de novas tecnologias militares
Autoridades americanas também passaram a analisar o uso de tecnologias militares inspiradas em táticas desenvolvidas pelo próprio Irã, especialmente no campo dos drones de ataque. Segundo análises militares citadas por redes americanas, os Estados Unidos estariam adaptando parte dessas estratégias em operações no Oriente Médio.
Especialistas apontam que o uso crescente de drones armados e ataques de precisão tem alterado a dinâmica do conflito e ampliado a capacidade de ataques à distância.
A declaração do comando militar israelense sobre a “próxima fase” da guerra sugere uma estratégia de prolongamento do confronto com foco na erosão gradual da capacidade militar e política do Irã.
Com a intensificação das operações militares, o envolvimento indireto de potências internacionais e a reação dos mercados globais, analistas avaliam que o conflito entrou em um momento de maior risco de escalada regional.