O governo israelense ordenou nesta terça-feira (28) a retomada imediata de bombardeios “poderosos” na Faixa de Gaza, rompendo o cessar-fogo em vigor há duas semanas com o Hamas. A decisão partiu diretamente do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e marca uma nova escalada no conflito que parecia estar em trégua.
Segundo comandante das Forças Armadas israelenses à agência Reuters, os ataques são uma retaliação a uma suposta violação prévia do acordo pelo Hamas. Israel alega que membros do grupo atacaram tropas israelenses posicionadas no território palestino. O governo, em nota oficial, limitou-se a informar que Netanyahu “instruiu o escalão militar a realizar imediatamente ataques poderosos na Faixa de Gaza”, sem detalhar os motivos.
O Hamas negou veementemente as acusações e, em contrapartida, culpou Israel pela quebra da trégua. Como retaliação, o grupo anunciou a suspensão da entrega de corpos de reféns mortos em cativeiro, prevista no acordo de cessar-fogo.
A tensão se agravou após controvérsia sobre a identificação de restos mortais. Segundo Israel, um corpo entregue pelo Hamas não correspondia a nenhum dos 13 reféns ainda não devolvidos, mas sim a partes remanescentes de um refém já entregue anteriormente. O Hamas afirmou ter encontrado outro corpo, mas alegou que dificuldades operacionais e as “violações israelenses” impediriam a entrega.
O grupo também acusou Israel de bloquear a entrada de equipamentos necessários para remoção de escombros, dificultando a localização de corpos. “A escalada dificultará a busca, escavação e recuperação dos corpos”, afirmou o Hamas em comunicado.
Desde o início do cessar-fogo, selado com mediação dos Estados Unidos em 9 de outubro, Hamas e Israel trocam acusações mútuas de violação do acordo. Enquanto Netanyahu argumenta que atrasos na devolução de reféns comprometem o pacto, o Hamas denuncia que bombardeios não cessaram completamente, deixando mais de 90 mortos no período.
No último fim de semana, uma nova onda de violência resultou em dezenas de palestinos e três soldados israelenses mortos, ameaçando desmantelar completamente o frágil acordo que tentava trazer paz temporária à região devastada.