Sarajevo
Viator

O Ministério Público de Milão abriu uma investigação sobre a possível participação de cidadãos italianos em “safáris humanos” organizados durante o cerco de Sarajevo, na Guerra da Bósnia. A apuração busca identificar suspeitos que teriam pago entre 80 mil e 100 mil euros para atirar em civis, incluindo crianças, a partir das colinas que cercavam a capital bósnia entre 1993 e 1995.

A denúncia foi apresentada pelo jornalista e escritor Ezio Gavazzeni, que retomou o tema após o lançamento do documentário Sarajevo Safari em 2023. Segundo reportagem do jornal La Repubblica, o Ministério Público já começou a convocar testemunhas. O promotor Alessandro Gobbi conduz o caso, enquadrado como homicídio doloso agravado por crueldade e motivo torpe.

“Turistas de guerra”

De acordo com o site italiano Il Fatto Quotidiano, os chamados “turistas de guerra” viajavam da cidade de Trieste para a Bósnia, onde eram recebidos por milicianos sérvio-bósnios e levados a pontos estratégicos com rifles de precisão. A investigação se baseia em depoimentos, registros militares e arquivos do Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia.

O cerco de Sarajevo, que durou de abril de 1992 a fevereiro de 1996, foi um dos episódios mais longos e violentos da guerra nos Bálcãs. Tropas sérvio-bósnias mantiveram a cidade isolada por 1.425 dias, impedindo o acesso a suprimentos e atacando civis. Segundo a Unicef, 40% das crianças da cidade foram alvejadas durante o conflito. Mais de 5 mil civis morreram no período, entre eles cerca de 1.500 crianças.

Segundo o jornal El País, as autoridades italianas pretendem cooperar com o governo da Bósnia e Herzegovina para obter novos depoimentos e documentos. O caso reacende o debate sobre a responsabilização de estrangeiros por crimes de guerra cometidos nos Bálcãs e a validade jurídica desses processos três décadas após o fim do conflito.

Veja também