
A Itália está fora da Copa do Mundo de 2026. Nesta terça-feira (31), a equipe empatou por 1 a 1 com a Bósnia e Herzegovina no estádio Bilino Polje, em Zenica, na Bósnia e Herzegovina, levou a decisão à prorrogação e acabou derrotada por 4 a 1 nos pênaltis. O resultado confirma a terceira ausência consecutiva da seleção italiana no torneio, repetindo as eliminações nas classificatórias de 2018 e 2022.
A partida teve roteiro de vantagem inicial italiana e mudança de cenário ainda no primeiro tempo. Moise Kean abriu o placar após erro na saída de bola da Bósnia, mas a expulsão de Alessandro Bastoni, aos 40 minutos, alterou o equilíbrio do jogo. Com um jogador a mais, a equipe da casa passou a pressionar e encontrou o empate com Haris Tabakovic no segundo tempo. O 1 a 1 se manteve na prorrogação, levando a decisão para as penalidades.
Nas cobranças, a Bósnia converteu quatro tentativas e a Itália apenas uma, confirmando a classificação diante de um estádio lotado. A eliminação expõe novamente a dificuldade italiana em momentos decisivos, especialmente em jogos eliminatórios recentes.
Uma ausência que se torna padrão
A sequência de eliminações nas eliminatórias consolida um cenário que deixou de ser pontual e passa a caracterizar um ciclo. A Itália, tetracampeã mundial, não disputa uma Copa desde 2014, no Brasil. Desde então, acumula quedas diante de adversários de menor tradição no futebol europeu, o que reforça a percepção de perda de competitividade.
O dado é significativo porque rompe com um histórico de presença constante da seleção em Copas ao longo do século XX e início do século XXI. Ficar fora de três edições consecutivas representa um marco inédito para uma das principais seleções do futebol mundial.
Eurocopa não sustentou ciclo
O título da Eurocopa de 2021, conquistado sob o comando de Roberto Mancini, chegou a sinalizar uma retomada. No entanto, o desempenho não se sustentou. A Itália voltou a apresentar dificuldades nas eliminatórias, com instabilidade tática, mudanças frequentes na equipe e dificuldade de consolidar uma base.
Sob o comando de Luciano Spalletti, a equipe entrou nas eliminatórias para a Copa de 2026 sob expectativa de reconstrução, mas voltou a falhar em momentos decisivos. A expulsão de Bastoni e a dificuldade de reação após o empate refletem limitações já observadas em ciclos anteriores.
Estrutura em debate
A eliminação reacende discussões sobre a estrutura do futebol italiano. Entre os pontos levantados estão a formação de jogadores, o espaço para jovens nas principais ligas, o impacto de estrangeiros nos clubes e a falta de renovação consistente da seleção. A imprensa internacional tratou o resultado como parte de uma crise prolongada, destacando a repetição de falhas e a ausência de respostas estruturais ao longo dos últimos anos. Após a derrota, a imprensa italiana não perdoou a Seleção. “Mais uma noite deprimente para o futebol italiano”, escreveu o Corriere Dello Sport. O Gazzetta Dello Sport chamou a derrota de “histórica”.
A ausência da Itália em mais uma Copa tem impacto que vai além do campo. A seleção é uma das mais tradicionais do futebol mundial, com quatro títulos, e sua ausência afeta o equilíbrio esportivo do torneio e o interesse global.
Para a Bósnia e Herzegovina, a classificação representa um avanço relevante. A equipe retorna ao Mundial após mais de uma década e garante presença em um cenário de maior visibilidade internacional.
A eliminação deve abrir um novo ciclo de pressão sobre a federação italiana, com expectativa de mudanças no comando técnico e revisão do planejamento esportivo. O período até a próxima Copa passa a ser tratado como decisivo para interromper a sequência de ausências.
O resultado em Zenica reforça um cenário que se repete desde 2018: a Itália segue distante do principal torneio do futebol mundial e sem sinais consistentes de retomada no curto prazo.