Irã
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O Ministério das Relações Exteriores divulgou nesta terça-feira (13) uma nota oficial em que lamenta as mortes registradas durante as manifestações no Irã e expressa preocupação com a escalada da violência no país. No comunicado, o governo brasileiro afirmou acompanhar “com apreensão” a situação e reiterou a defesa da soberania iraniana e do respeito ao direito internacional.

“O governo brasileiro lamenta profundamente as mortes ocorridas durante as manifestações no Irã”, diz a nota. O Itamaraty acrescenta que manifesta “solidariedade às famílias das vítimas” e ressalta que “o respeito aos direitos humanos e às liberdades fundamentais é essencial em qualquer circunstância”. No texto, a pasta ressalta que cabe “apenas aos iranianos decidir, de maneira soberana, sobre o futuro de seu país”.

Segundo o comunicado, o Brasil defende que a crise seja enfrentada por meios pacíficos. “O diálogo e a contenção da violência são indispensáveis para evitar o agravamento da situação”, afirma o texto.

Soberania, não intervenção e situação de brasileiros

O Itamaraty reforçou princípios tradicionais da política externa brasileira ao afirmar que “o Brasil reafirma sua defesa da soberania dos Estados e da não intervenção em assuntos internos”. De acordo com a nota, esses princípios são fundamentais para a preservação da estabilidade regional e para a solução pacífica de controvérsias.

O governo brasileiro informou ainda que, até o momento, não há registros de brasileiros entre as vítimas dos protestos no Irã. A situação da comunidade brasileira no país segue sendo acompanhada pelas autoridades diplomáticas.

A posição do Brasil busca equilibrar a manifestação de preocupação humanitária com a preservação de uma postura diplomática alinhada ao multilateralismo e à Carta das Nações Unidas.

Irã anuncia primeira execução ligada aos protestos

As autoridades iranianas anunciaram que a primeira execução, por enforcamento, de um manifestante condenado em meio à atual onda de protestos está marcada para esta quarta-feira (14). Segundo informações divulgadas pelo governo do Irã, Erfan Soltani, de 26 anos, foi sentenciado à morte sob acusações relacionadas à participação nas manifestações após capturado em casa na última quinta-feira (8).

Organizações internacionais de direitos humanos têm alertado que a medida representa uma escalada na repressão e pode ampliar o clima de temor no país, que já contabiliza ao menos 2 mil mortos, segundo estimativas de organizações de direitos humanos . A execução anunciada ocorre em meio a denúncias de julgamentos sumários, prisões em massa e restrições severas a comunicações, incluindo bloqueios prolongados de internet.

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