
A província de Niigata aprovou nesta segunda-feira (22) a retomada das operações da usina de Kashiwazaki-Kariwa, a maior do mundo, em uma decisão que representa um ponto de virada na política nuclear japonesa. A assembleia provincial votou a favor do governador Hideyo Hanazumi, que havia apoiado a reativação da planta localizada a 220 km de Tóquio.
A usina, operada pela Tokyo Electric Power Co (TEPCO), estava paralisada desde o desastre de Fukushima em 2011. O Japão fechou 54 reatores após o acidente e, desde então, reativou apenas 14 das 33 unidades que permanecem operacionais. Kashiwazaki-Kariwa será a primeira planta da TEPCO a voltar a funcionar desde a catástrofe que a empresa administrou.
A decisão, no entanto, enfrenta forte resistência. Cerca de 300 manifestantes, majoritariamente idosos, protestaram em frente à assembleia sob temperatura de 6°C, carregando cartazes contra a retomada. Uma pesquisa de outubro revelou que 60% dos moradores acreditam que as condições necessárias não foram atendidas, e 70% desconfiam da TEPCO.
A primeira-ministra Sanae Takaichi defende a retomada nuclear para fortalecer a segurança energética do país, que gasta US$ 68 bilhões anuais com importação de combustíveis fósseis. O Japão pretende dobrar a participação nuclear em sua matriz elétrica para 20% até 2040, impulsionado pela crescente demanda de data centers de inteligência artificial.