Marcelo Camargo/Agência Brasil

O coproprietário da JBS, Joesley Batista, viajou a Caracas para tentar convencer o presidente venezuelano Nicolás Maduro a renunciar ao cargo, segundo informações da agência Bloomberg publicadas na quarta-feira (3). A viagem ocorre em meio à tensão entre o presidente norte-americano Donald Trump e o líder venezuelano.

Joesley teria se encontrado com Maduro em 23 de novembro, dias antes de Trump ligar para o presidente venezuelano solicitando sua renúncia. Segundo fontes anônimas, autoridades do governo dos EUA sabiam do plano do empresário de ir a Caracas e reforçar a mensagem de Trump, mas ressaltam que ele viajou por conta própria, não a pedido do governo.

A J&F S.A., holding da família Batista, afirmou em comunicado que “Joesley Batista não é representante de nenhum governo”. Maduro confirmou na quarta-feira a conversa telefônica com Trump, classificando-a como um “passo importante” para o diálogo entre Caracas e Washington.

As relações comerciais entre Joesley e a Venezuela teriam o credenciado como interlocutor entre Trump e Maduro. Anos atrás, a JBS e o líder venezuelano negociaram contrato de US$ 2,1 bilhões para fornecer carne e frango ao país em meio à escassez de alimentos e hiperinflação. O acordo foi viabilizado pelo político socialista Diosdado Cabello, atual ministro do Interior da Venezuela.

A situação ocorre em contexto de recente crise que atinge a América Latina e o Caribe, com Washington buscando aumentar pressão sobre o regime venezuelano.

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