Lula
Editorial da revista britânica The Economist – Reprodução

O jornal britânico The Economist publicou um editorial sobre o cenário político brasileiro em que avalia que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não deveria disputar a reeleição em 2026. O texto, veiculado na terça-feira (30), sustenta que o país entra em um ciclo eleitoral decisivo e que a repetição da disputa marcada pela polarização entre lulismo e bolsonarismo tende a ampliar riscos políticos, econômicos e institucionais.

A análise parte de uma perspectiva liberal clássica, alinhada à tradição editorial do jornal, que historicamente defende reformas pró-mercado, previsibilidade institucional, responsabilidade fiscal e rejeita tanto projetos de esquerda estatizantes quanto movimentos conservadores de viés populista.

Idade de Lula e riscos de continuidade

O editorial argumenta que a idade de Lula representa um fator de incerteza para um novo mandato presidencial. Embora reconheça a força política e a experiência do presidente, o texto sustenta que o risco associado à saúde e à capacidade de conduzir um mandato longo deveria ser considerado no cálculo político.

Para o jornal, a insistência na reeleição reforça um cenário de personalização do poder e dificulta a renovação do campo político, além de manter o país preso a disputas já conhecidas, sem reorganização programática mais ampla.

Crítica direta ao bolsonarismo e à sucessão familiar

O The Economist dedica parte relevante do editorial à crítica ao bolsonarismo. O jornal avalia que a decisão do ex-presidente Jair Bolsonaro de apoiar o senador Flávio Bolsonaro como possível candidato à Presidência representa um erro estratégico para a direita brasileira.

Segundo o texto, Flávio é descrito como impopular, politicamente ineficaz e com baixa capacidade de vencer uma eleição nacional, especialmente em um eventual confronto com Lula. O editorial afirma que a tentativa de sucessão familiar mantém o campo conservador fechado sobre si mesmo e impede o surgimento de lideranças mais amplas e competitivas.

Esgotamento político do projeto Bolsonaro

Na leitura do jornal, o bolsonarismo se transformou em um movimento excessivamente centrado na figura da família Bolsonaro, com dificuldades de ampliar alianças e dialogar com setores institucionais, empresariais e moderados da sociedade.

O editorial sugere também que a permanência dos Bolsonaros no centro da disputa mantém a direita associada a confrontos institucionais, tensões com o Judiciário e crises políticas recorrentes, o que reduz suas chances eleitorais e de governabilidade.

Alternativa liberal a Lula

O texto aponta o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como o nome mais viável dentro do campo conservador-liberal. O jornal afirma que ele reúne características ausentes nos Bolsonaros, como perfil técnico, postura institucional e compromisso com a democracia.

Segundo o editorial, Tarcísio teria condições de dialogar com o mercado, setores produtivos e eleitores moderados, além de não carregar o desgaste associado aos embates políticos e institucionais do bolsonarismo. O jornal afirma que o governador “deveria ter a coragem de se lançar” como candidato presidencial.

Defesa de uma candidatura de centro-direita unificada

O The Economist defende ainda que partidos de direita abandonem a lógica personalista e se unam em torno de uma candidatura de centro-direita com agenda liberal clara. O texto descreve o perfil desejado: alguém capaz de reduzir a burocracia, combater o crime sem violar liberdades civis, preservar florestas tropicais e respeitar o Estado de Direito.

Essa combinação, segundo o jornal, permitiria superar a polarização dos anos Lula-Bolsonaro e criar um ambiente político mais estável para reformas econômicas e institucionais.

Um cenário aberto e incerto para 2026

O editorial conclui afirmando que o Brasil chega a 2026 com “muito em jogo” e um resultado eleitoral incerto. Para o jornal, a combinação entre a possível reeleição de Lula e a insistência dos Bolsonaros em liderar a direita amplia o risco de instabilidade prolongada.

Na visão do The Economist, o país teria melhores condições de governabilidade se a disputa fosse reorganizada em torno de uma candidatura liberal de centro-direita, capaz de romper com o ciclo de polarização que marcou a política brasileira na última década.

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