
O líder conservador José Antonio Kast Rist tomou posse nesta quarta-feira (11) como presidente do Chile, em cerimônia realizada no Congresso Nacional, na cidade portuária de Valparaíso. A chegada de Kast ao poder é descrita por analistas como a mudança política mais acentuada à direita no país desde o fim da ditadura de Augusto Pinochet em 1990.
Kast venceu as eleições presidenciais de 2025 após campanha marcada por promessas de combate duro ao crime, controle rigoroso da imigração e redução do papel do Estado na economia. O novo presidente assume após o mandato do ex-líder estudantil Gabriel Boric, cuja gestão terminou com dificuldades políticas e baixa aprovação popular.
Durante a cerimônia, Kast afirmou que sua prioridade será garantir segurança à população e restaurar a confiança nas instituições. Em discurso dirigido ao Congresso e à sociedade chilena, prometeu implementar medidas de endurecimento penal, fortalecer as forças de segurança e reformular a política migratória do país.
Presença internacional e convite a Bolsonaro
A posse contou com a presença de diversos líderes conservadores da região. Entre os convidados estavam o presidente da Argentina, Javier Milei, o presidente do Equador, Daniel Noboa, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, além do rei da Espanha, Felipe VI.
A cerimônia também ganhou repercussão política no Brasil após Kast convidar integrantes da família Bolsonaro para o evento. O senador Flávio Bolsonaro (PL) participou da cerimônia e criticou publicamente a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de não comparecer. Segundo Flávio, Lula teria sido “pequeno” ao cancelar a viagem para a posse do novo presidente chileno.
Ausência de Lula e tensão diplomática
O presidente Lula decidiu não participar da cerimônia. O governo brasileiro enviou representantes diplomáticos para o evento.
Nos bastidores do Palácio do Planalto, a decisão foi interpretada como consequência de uma série de gestos considerados hostis por parte do novo presidente chileno. Entre eles, o convite feito a aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro para a cerimônia de posse.
Segundo integrantes do governo brasileiro ouvidos pela imprensa, Lula também considerou uma “indelicadeza diplomática” o gesto de Kast ao convidar Flávio Bolsonaro após uma série de declarações críticas ao atual governo brasileiro.
Histórico de críticas ao governo brasileiro
Durante a campanha presidencial chilena, Kast fez diversas críticas a Lula e a governos de esquerda da América Latina. Em declarações públicas, chegou a chamar o presidente brasileiro de corrupto e demonstrou proximidade política com Jair Bolsonaro.
Kast também elogiou o ex-presidente brasileiro em diferentes momentos e afirmou que Bolsonaro representava um modelo de liderança conservadora na região.
As declarações ampliaram o distanciamento político entre Brasília e Santiago ainda antes da posse.
As principais polêmicas de Kast
A ascensão de Kast ao poder ocorre em meio a um histórico de controvérsias sobre suas posições políticas.
O novo presidente chileno já expressou admiração por políticas adotadas durante o regime militar de Augusto Pinochet, o que provoca críticas de organizações de direitos humanos e de setores da sociedade chilena.
Kast também é conhecido por posições conservadoras em temas sociais. Ele é opositor histórico do aborto e críticos temem retrocessos em direitos reprodutivos garantidos nos últimos anos.
Outro ponto sensível envolve a política migratória. Durante a campanha, Kast prometeu deportações em massa de migrantes irregulares e maior controle nas fronteiras do país.
O que esperar do novo governo
Analistas apontam que o novo governo chileno deve priorizar três eixos principais: segurança pública, controle migratório e reformas econômicas pró-mercado.
Entre as medidas discutidas durante a campanha estão o fortalecimento das forças policiais, a ampliação de poderes de segurança e mudanças nas regras de imigração.
Ao mesmo tempo, Kast terá de governar com um Congresso fragmentado, o que pode dificultar a aprovação de reformas estruturais.
Impactos para a política regional
A posse de Kast pode alterar o equilíbrio político da América do Sul. O Chile vinha sendo governado por uma coalizão progressista e agora passa a integrar o grupo de governos conservadores da região.
Especialistas apontam que a mudança pode influenciar debates sobre integração regional, políticas econômicas e posicionamento diplomático em temas internacionais.
Com a posse desta quarta-feira, o Chile inicia um novo ciclo político que tende a redefinir seu papel no cenário latino-americano e suas relações com governos ideologicamente distintos no continente.