
Com 26 anos, campeão mundial e dono de uma história construída com transparência emocional, consistência e autenticidade, Lando Norris pode liderar uma nova era dentro da Fórmula 1.
A vulnerabilidade como força
Lando Norris encerra 2025 como campeão mundial de Fórmula 1, mas sua vitória ultrapassa a lista de estatísticas. Em um ambiente moldado por narrativas de heroísmo e infalibilidade, o britânico da McLaren consolida um novo tipo de protagonista: emocional, autoconsciente e disposto a admitir fragilidades. Logo após a corrida decisiva, em Abu Dhabi, Norris chorou ao agradecer pais e equipe, num discurso marcado por autoironia (“Ah, eu pareço um perdedor!”) e gratidão. Para ele, o título não é um troféu individual, mas uma construção coletiva. E essa abordagem o diferencia tanto quanto sua pilotagem.
A virada mental
A temporada de Norris não foi linear. Ele admite que sua primeira metade do ano foi repleta de erros, dúvidas e decisões equivocadas. A pressão veio de dentro: a comparação direta com Oscar Piastri, companheiro rápido e competitivo, o deixou em alerta. Em vez de transformar isso em guerra interna, Norris fez o contrário. Ele mergulhou no próprio desempenho, buscou entender falhas e extrair delas o impulso para reagir. O resultado foi uma segunda metade da temporada quase impecável, suficiente para segurar Verstappen e virar o jogo psicológico e técnico do campeonato.
Integridade como estilo de pilotagem
O novo campeão faz questão de frisar que conquistou o título sem abandonar sua essência. Ao contrário de outros campeões famosos pela agressividade, Norris escolhe correr com honestidade, evitando manobras arriscadas que não condizem com sua personalidade. “Eu venci do meu jeito”, resume. Isso não significa modéstia técnica: ele reconhece que atingiu níveis de pilotagem que poucos alcançam, mas sem transformar isso em soberba. Para ele, a motivação não é provar superioridade, e sim fazer o necessário para vencer.
As raízes de um campeão
O ambiente familiar sempre foi central na trajetória de Norris. Ele fez questão de ter todos em Abu Dhabi para a corrida decisiva. Seu pai, Adam Norris, é um dos homens mais ricos do Reino Unido, fundador da Hargreaves Lansdown e da Pure Electric. Lando reconhece os privilégios que a fortuna familiar garantiu — no kart, nas categorias de base, na transição para a F1. Ainda assim, reforça que o mérito esportivo é seu. Desde os sete anos nas pistas até o vice-campeonato em 2024, ele construiu uma carreira marcada por dedicação diária, não apenas por oportunidades.
Os gostos pessoais
Fora das pistas, Norris cultiva hábitos simples e surpreendentes. Fã assumido da culinária italiana, ele odeia frutos do mar e tem nos ovos — pochê ou mexidos — a base de seu café da manhã. Nos fins de semana de corrida, prefere refeições leves: iogurte com granola, aveia com frutas vermelhas e seu inseparável wrap de frango. À noite, quando quer se permitir, recorre a massas ou a um hambúrguer de frango. Pequenos rituais que, ao longo de uma temporada exaustiva, ajudam a manter foco e energia.