
A decisão do Banco Central (BC) de liquidar o Banco Master marca uma das maiores intervenções bancárias já registradas no país. Com ativos de R$ 87 bilhões e passivos de R$ 83 bilhões, segundo dados de março do próprio BC, a instituição é agora mais um nome na lista de bancos que tiveram trajetória interrompida por fragilidade financeira e suspeitas de irregularidades, como Bamerindus, Cruzeiro do Sul, BVA e Banco Santos.
Para fontes do mercado, o Master tentou evitar a intervenção costurando, às pressas, um acordo com o grupo Fictor — anúncio que surpreendeu investidores, mas não foi suficiente para impedir a ação do regulador. A possibilidade de intervenção já vinha sendo especulada desde a negativa do BC à compra de parte do banco pelo BRB.
A história recente do sistema financeiro mostra processos longos e complexos. O Bamerindus entrou em intervenção em 1997, com patrimônio negativo de R$ 4,2 bilhões, e sua liquidação extrajudicial só terminou em 2014. O Cruzeiro do Sul teve a liquidação decretada em 2012 após a descoberta de um rombo de R$ 1,3 bilhão, com falência oficializada em 2015. Já o Banco Santos teve intervenção em 2004, seguida de liquidação e falência no ano seguinte.
No caso do Master, as dificuldades se ampliaram ao longo de 2024. O banco precisava enfrentar R$ 16 bilhões em dívidas vencendo em 2025. Tentativas de venda fracassaram, e a instituição chegou a captar dois aportes de R$ 1 bilhão, além de tomar R$ 4 bilhões do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). A forte dependência de CDBs garantidos pelo FGC despertou críticas e levou o Conselho Monetário Nacional a endurecer regras de uso das garantias.
Sem capacidade de honrar compromissos e pressionado por auditorias em fundos de pensão que investiram quase R$ 2 bilhões em seus títulos, o Master acabou considerado irrecuperável pelo Banco Central.