
Nesta quinta-feira (18), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) formalizou o convite a Gustavo Feliciano para assumir o Ministério do Turismo após a saída de Celso Sabino. A mudança faz parte de um rearranjo político do governo com o União Brasil, partido que havia rompido formalmente com o Executivo e orientado seus filiados a deixarem cargos na Esplanada dos Ministérios.
Celso Sabino deixou o ministério depois de ser expulso do União Brasil por ter permanecido no governo mesmo após a orientação da legenda para abandonar a base aliada. A saída foi apresentada pelo Palácio do Planalto como um movimento de reorganização da articulação política em um momento de pressão no Congresso e de negociações pré-eleitorais.
Perfil, aceitação do convite e articulação política
Gustavo Feliciano é filho do deputado federal Damião Feliciano (União Brasil-PB). Segundo informações divulgadas ao longo do dia, Feliciano aceitou o convite do presidente e a expectativa no Planalto é de que ele assuma oficialmente o ministério na próxima semana, possivelmente na terça-feira (23), após a conclusão dos trâmites administrativos e da formalização da nomeação.
O novo indicado à pasta construiu sua trajetória pública na área de turismo e desenvolvimento econômico, com atuação concentrada no Nordeste. Ele foi secretário de Turismo e Desenvolvimento Econômico da Paraíba, onde coordenou políticas de promoção do turismo regional, articulação com o setor privado e iniciativas voltadas à atração de investimentos e eventos. Também é descrito como empresário com atuação ligada ao setor turístico, o que tem sido citado por aliados como um diferencial para a função.
Durante sua passagem pela secretaria estadual, participou da formulação de estratégias para ampliar o fluxo turístico e integrar ações de turismo, cultura e desenvolvimento regional, mantendo interlocução frequente com governos municipais e entidades do setor. Aliados apontam sua experiência administrativa como credencial para o cargo; críticos avaliam que a indicação tem forte componente de composição política, em um momento de recomposição da base do governo no Congresso.
Além do vínculo com o pai, Gustavo Feliciano também é filho de Lígia Feliciano, médica e ex-vice-governadora da Paraíba, o que reforça a leitura de que sua trajetória está inserida em um ambiente político familiar consolidado no estado. Nos bastidores de Brasília, a indicação é vista como resultado de articulação direta com uma ala do União Brasil favorável à manutenção do diálogo com o governo Lula.
Outro ponto observado por analistas é o perfil discreto de Feliciano no debate público nacional. Ele mantém baixa exposição nas redes sociais e pouca presença em discussões de alcance federal, o que contrasta com o padrão recente de ministros com maior visibilidade política. Esse aspecto é citado tanto como sinal de perfil técnico quanto como possível desafio de comunicação à frente da pasta.
Avaliação do nome e impactos no partido
Há ainda expectativa sobre os efeitos políticos da nomeação dentro do União Brasil. Interlocutores do Congresso avaliam que o convite a Gustavo Feliciano pode influenciar movimentos futuros do deputado Damião Feliciano, que discute nos bastidores uma eventual mudança partidária na próxima janela, o que pode alterar o equilíbrio interno da legenda e suas relações com o governo.
No Palácio do Planalto, a avaliação é de que a troca não altera as diretrizes da política nacional de turismo, mas reforça a estratégia de governabilidade e recomposição de apoio parlamentar em um cenário de fragmentação partidária. A posse do novo ministro deve ocorrer nos próximos dias.