
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conversaram por videoconferência durante 30 minutos nesta segunda-feira (6), em uma ligação iniciada pelo norte-americano. Durante o diálogo, descrito como “positivo” pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, Lula aproveitou para solicitar a retirada da sobretaxa de 50% imposta pelo governo Trump a produtos brasileiros, além das sanções aplicadas contra autoridades do país.
Segundo informações do Palácio do Planalto, a conversa ocorreu em tom amistoso, e ambos os líderes relembraram a “boa química” que tiveram em Nova York durante a Assembleia Geral da ONU. Os presidentes trocaram telefones pessoais para estabelecer uma via direta de comunicação, sinalizando a intenção de manter um canal aberto de diálogo entre as duas nações.
Durante a videoconferência, Lula enfatizou que o contato representa uma “oportunidade para a restauração das relações amigáveis de 201 anos entre as duas maiores democracias do Ocidente”. O presidente brasileiro recordou ainda que o Brasil é um dos três países do G20 com quem os Estados Unidos mantêm superávit na balança de bens e serviços, utilizando esse argumento para fundamentar seu pedido de revisão das tarifas comerciais.
As tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros chegam a 50% quando somadas à alíquota base de 10% já existente. Além das barreiras comerciais, o governo Trump revogou vistos de autoridades brasileiras, incluindo ministros do Supremo Tribunal Federal, o advogado-geral da União, Jorge Messias, e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. O ministro Alexandre de Moraes e sua esposa, Viviane Barci de Moraes, foram incluídos na lista de sancionados pela Lei Magnitsky, utilizada para punir estrangeiros.
Trump designou o secretário de Estado Marco Rubio para dar sequência às negociações sobre as tarifas com o vice-presidente Geraldo Alckmin, o chanceler Mauro Vieira e o ministro da Fazenda Fernando Haddad. A decisão sinaliza que o governo norte-americano está disposto a manter canais de negociação abertos, mesmo sem comprometimento imediato sobre a retirada das sanções.
Encontro presencial à vista
Os dois presidentes concordaram em realizar um encontro presencial “em um futuro não muito distante”. Lula sugeriu que a reunião aconteça durante a Cúpula da Asean, na Malásia, no final deste mês. O governo brasileiro vê o evento como uma oportunidade ideal para o encontro, proporcionando um local neutro, fora de Brasília ou Washington. Trump ainda não confirmou oficialmente sua presença na cúpula, mas é esperado que visite a Malásia como parte de uma viagem à Ásia que também incluiria Japão e Coreia do Sul.
Além da proposta de encontro na Malásia, Lula reiterou o convite a Trump para participar da COP30, que será realizada em Belém do Pará, e se dispôs também a viajar aos Estados Unidos. Trump confirmou a conversa em suas redes sociais, afirmando que a ligação foi “muito boa” e que os dois se reunirão “tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos”.
A relação entre Lula e Trump tem sido marcada por tensões desde a eleição do norte-americano no final de 2024. O presidente dos EUA determinou o tarifaço em meio aos casos envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro, aliado de Trump, no Supremo Tribunal Federal. A pressão, no entanto, não teve efeito, e Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe e outros crimes.
A diplomacia brasileira tem trabalhado de forma cautelosa e discreta, devido ao histórico de mudanças de posição de Trump e ao receio de que auxiliares do presidente norte-americano possam tentar atrapalhar a aproximação entre os líderes. Apesar das tensões, Lula tem reforçado em discursos que está aberto ao diálogo comercial, incluindo temas de interesse dos Estados Unidos, como regulação de big techs e exploração de terras raras.