
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) definiu nesta terça-feira (27) que Olavo Noleto vai substituir a ministra Gleisi Hoffmann (PT-PR) no comando da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), pasta responsável pela articulação política do governo com o Congresso Nacional. A troca está prevista para o início de abril, após a saída de Gleisi no fim de março, quando ela deve se desincompatibilizar do cargo para disputar uma vaga ao Senado pelo Paraná nas eleições de 2026.
A mudança ocorre em meio à reorganização mais ampla do governo para o calendário eleitoral. Pela legislação eleitoral, ministros e outros integrantes do governo federal que pretendem disputar cargos nas eleições de outubro deste ano precisam deixar seus postos ao menos seis meses antes do pleito, o que estabelece o início de abril como prazo-limite para as desincompatibilizações.
Levantamentos publicados por veículos nacionais indicam que quase metade dos ministros do governo Lula deve deixar o cargo até esse período, o que levou o Planalto a planejar substituições antecipadas por secretários-executivos e auxiliares diretos, com o objetivo de reduzir descontinuidade administrativa e preservar a execução da agenda governamental.
Quem é Olavo Noleto
Goiano, nascido em 27 de fevereiro de 1974, Olavo Noleto é formado em Marketing pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e possui formação complementar em Gestão Pública. Com trajetória ligada a governos do PT, atuou em funções de articulação política, comunicação institucional e gestão pública.
No governo federal, foi secretário-executivo da SRI durante a gestão de Alexandre Padilha (PT-SP) e ocupou cargos na Secretaria de Comunicação Social (Secom) no governo Dilma Rousseff (PT), onde chegou a exercer interinamente a função de ministro. Também teve passagens por administrações municipais, como Maricá (RJ), e integrou conselhos de estatais e empresas públicas, incluindo a Empresa Brasileira de Comunicação (EBC) e a Transpetro.
Antes de ser confirmado para a SRI, Noleto atuava como secretário-executivo do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, o chamado Conselhão, órgão de assessoramento direto da Presidência da República.
A troca e a reorganização da Esplanada
A saída de Gleisi Hoffmann está inserida em uma estratégia mais ampla do governo para 2026. Além dela, outros ministros petistas devem deixar o governo nos próximos meses para disputar eleições ou se dedicar à articulação política regional.
Entre eles estão Rui Costa, da Casa Civil, e Fernando Haddad, da Fazenda. Ambos devem deixar seus cargos até abril. No caso de Rui Costa, ele é apontado como provável candidato ao Senado pela Bahia, embora aliados também mencionem a possibilidade de uma nova candidatura ao governo estadual.
Na Casa Civil, a sucessão tende a ser interna. A secretária-executiva Miriam Belchior é vista, desde o início do governo, como um nome com status político elevado dentro da Esplanada. Com trajetória em gestões petistas desde os anos 1990, ela foi ministra do Planejamento entre 2011 e 2015, durante o governo Dilma Rousseff, e é frequentemente citada por Lula em discursos públicos.
Outro nome que aparece nas discussões é Bruno Moretti, secretário de Análise Governamental da Casa Civil, apontado como possível substituto de Simone Tebet no Ministério do Planejamento. Lula, no entanto, tem indicado a aliados que considera o trabalho de Moretti estratégico para o Planalto, o que reduz a chance de deslocamento.
Na Fazenda, o nome mais citado para assumir o comando da pasta é o do atual secretário-executivo Dario Durigan, visto internamente como o principal operador da agenda econômica do governo. Durigan tem o apoio de Haddad e ganhou a confiança de Lula ao longo do mandato.
Haddad afirmou a interlocutores que deve deixar o cargo antes de março. O presidente e a direção do PT defendem que ele dispute o governo de São Paulo, hipótese que o ministro tem resistido publicamente.
Também é discutida a substituição de Camilo Santana, embora essa troca seja considerada menos definida. Camilo tem mandato de senador até 2031 e não pretende disputar eleições em 2026, mas pode deixar o governo para atuar na articulação política no Ceará, com foco na reeleição do governador Elmano de Freitas (PT). O nome mais citado para substituí-lo é o do secretário-executivo Leonardo Barchini.
Estratégia política do governo para 2026
A reorganização ministerial vem sendo discutida na cúpula do governo, com reuniões que envolveram Lula, Miriam Belchior e outros auxiliares próximos. A estratégia do presidente é incentivar que ministros e aliados com força política local deixem o governo para disputar eleições, ampliando a base do PT e de partidos aliados no Congresso a partir de 2027, em caso de reeleição.
Ao mesmo tempo, o Planalto tenta reduzir os impactos administrativos da saída simultânea de quadros centrais. Auxiliares do presidente avaliam que uma piora no funcionamento de áreas estratégicas poderia afetar a percepção do governo junto ao eleitorado em pleno ciclo eleitoral.
Nesse cenário, a nomeação de Olavo Noleto para a SRI é vista como parte do esforço para preservar a governabilidade, garantir continuidade de acordos com o Congresso e coordenar politicamente a transição de ministros, em um momento em que Executivo e Legislativo passam a operar sob forte influência do calendário eleitoral.