
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva trabalha nos bastidores para convencer o ministro Dias Toffoli a se licenciar do Supremo Tribunal Federal (STF) e, no médio prazo, a deixar a Corte em definitivo. A apuração é da colunista de O Globo, Malu Gaspar. Segundo interlocutores do presidente ouvidos por ela, Lula tem pedido a pessoas próximas de Toffoli que o persuadam a se afastar sob alegação de motivos de saúde, temendo que novas revelações sobre sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, aprofundem ainda mais a crise institucional que já corrói a imagem do tribunal.
O presidente tem dito a aliados que o que veio a público até agora sobre os vínculos de Toffoli com o grupo de Vorcaro seria apenas um “aperitivo” do que ainda pode surgir. A PF já apresentou ao presidente do STF, Edson Fachin, um documento que detalha transações entre o ministro e o grupo Master — entre elas, o pagamento de R$ 35 milhões por uma fatia do resort do qual Toffoli é sócio. Pressionado pelos pares, o ministro renunciou à relatoria do caso, mas Fachin arquivou o processo sobre sua suspeição.
Apesar da articulação presidencial, Toffoli resiste. O ministro tem dito a interlocutores que não tem intenção de se afastar e que não há risco de surgirem informações comprometedoras além das já apresentadas pela PF. Indicado por Lula em seu segundo mandato, Toffoli poderia permanecer no STF até 2042.
A pressão de Lula também teria outro objetivo: proteger o ministro Alexandre de Moraes, igualmente no centro da crise. Contratos do escritório de sua mulher com o Banco Master e mensagens trocadas com Vorcaro no dia de sua primeira prisão alimentam as suspeitas sobre o ministro. Lula considera Moraes fundamental à sua própria sobrevivência política; em parte pela condução do processo que condenou Jair Bolsonaro e reconhece que, sem o ministro, que esteve à frente do TSE na eleições de 2022, provavelmente não seria presidente hoje.
O custo político já é visível. Pesquisa Quaest aponta que 49% dos brasileiros não confiam no STF. O Datafolha registrou recorde histórico de desconfiança na Corte, com 43%. Um cenário que favorece adversários de Lula, como Flávio Bolsonaro, e que o presidente tenta, ainda sem sucesso, reverter.