
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a criticar a política monetária do Banco Central (BC) após a decisão de manter a taxa Selic em 15% ao ano. Em entrevista à TV Liberal, do Pará, nesta sexta-feira (3), Lula afirmou que os juros elevados representam um “problema” para o país e defendeu a redução gradual como forma de estimular o crescimento econômico.
A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), anunciada em 17 de setembro, manteve a Selic no maior nível em quase duas décadas — desde junho o índice está em 15%, próximo do patamar de 15,25% registrado em julho de 2006, ainda no primeiro mandato de Lula.
“O Brasil precisa ter consciência de que inflação baixa e juro baixo significam crescimento, geração de emprego e melhoria da qualidade de vida do povo brasileiro. Disso eu não abro mão”, declarou o presidente.
Novo tom com Galípolo à frente do BC
Diferente do tom mais duro usado contra Roberto Campos Neto, indicado por Jair Bolsonaro e alvo frequente de críticas do petista, Lula adotou postura mais moderada ao comentar a decisão do BC, hoje sob comando de Gabriel Galípolo, seu indicado e ex-integrante do governo.
Atualmente, a maioria dos diretores do Copom foi indicada pelo próprio presidente. A Selic é o principal instrumento do Banco Central para conter pressões inflacionárias, mas seus efeitos acabam impactando mais diretamente a população de baixa renda.
Na última reunião, o Copom justificou a manutenção da Selic citando a combinação de instabilidades externas e inflação ainda acima da meta no Brasil. O comitê também apontou perda de fôlego da atividade econômica, mas destacou que o mercado de trabalho segue aquecido, o que mantém riscos inflacionários.
Economistas projetam que a taxa básica de juros seja mantida nesse patamar elevado ao menos até o início de 2026, conforme sinalizações do próprio Banco Central.
Haddad reforça críticas
As críticas à Selic também têm sido feitas pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad. No fim de setembro, ele declarou que acredita haver espaço para a taxa cair e disse que “nem deveria estar em 15%”. Haddad demonstrou confiança de que Galípolo entregará resultados consistentes ao longo de seu mandato de quatro anos.