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Matt Damon criticou a forma como os streamings têm transformado a produção cinematográfica. Em participação no podcast Joe Rogan Experience, durante a promoção de seu novo filme “Dinheiro Suspeito”, o ator revelou que os artistas agora são instruídos a criar obras adaptadas para celulares, priorizando cenas que captem imediatamente a atenção dos usuários.

Segundo Damon, a mudança é drástica em relação ao cinema tradicional. Ele explicou que a estrutura clássica de filmes de ação previa três grandes cenas distribuídas ao longo da narrativa, com maior investimento no clímax do terceiro ato. Agora, plataformas como a Netflix pedem que a maior cena de ação aconteça nos primeiros cinco minutos para garantir que as pessoas continuem assistindo.

A situação se agrava com outra exigência: repetir eventos da trama várias vezes no diálogo. “Não seria terrível se você reiterasse o enredo três ou quatro vezes no diálogo, porque as pessoas estão em seus telefones enquanto assistem”, relatou o ator. A declaração evidencia como a distração causada pelos celulares tem impactado a narrativa cinematográfica.

Em contraste, Damon expressou entusiasmo ao falar sobre sua experiência em “A Odisseia”, novo filme de Christopher Nolan, que será lançado em julho. Durante participação no podcast Skip Intro, o ator descreveu a produção como um marco histórico e pessoal, afirmando que parecia estar “fazendo o último grande filme em película” de sua carreira.

A declaração reforça o compromisso de Nolan com o formato analógico e a grandiosidade prática das filmagens. Para Damon, trabalhar no projeto trouxe forte sentimento de nostalgia, comparando a experiência aos seus primeiros dias na indústria, durante as gravações de “Código de Honra”, em 1992.

As declarações do ator revelam a tensão atual no cinema entre a tradição das grandes produções analógicas e as demandas do consumo digital através dos streamings e dispositivos móveis.

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