
O ator americano Matthew McConaughey apresentou gravações de sua voz e materiais audiovisuais às autoridades de propriedade intelectual dos Estados Unidos com o objetivo de patentear esses ativos e impedir o uso não autorizado de sua imagem por plataformas de inteligência artificial. A iniciativa busca estabelecer uma proteção legal preventiva diante do avanço da IA generativa.
O registro foi protocolado no Escritório de Marcas e Patentes dos Estados Unidos (USPTO) pelo braço comercial da fundação Just Keep Livin, criada por McConaughey e sua esposa, a brasileira Camila Alves, conforme indicam bases de dados do órgão consultadas pela AFP.
Desde a popularização de ferramentas como o ChatGPT, artistas de diferentes áreas têm manifestado preocupação com o uso de suas vozes e feições sem consentimento. Apesar do desconforto generalizado, poucos recorreram a medidas jurídicas concretas. Um dos casos mais conhecidos é o de Scarlett Johansson, que em 2023 processou o aplicativo Lisa AI por utilizar uma imagem gerada por IA semelhante à sua em uma campanha publicitária.
A estratégia adotada por McConaughey é considerada inédita por antecipar-se a possíveis disputas, buscando delimitar juridicamente o uso de sua identidade. Vencedor do Oscar em 2014, o ator não se posiciona contra a IA de forma absoluta. Ele é investidor da startup ElevenLabs, especializada em tecnologia de síntese de voz, que já desenvolveu uma versão digital baseada em sua fala.
Segundo o advogado Kevin Yorn, que representa McConaughey, a intenção é garantir aos artistas o mesmo nível de proteção que empresas já possuem, além de assegurar participação no valor econômico gerado pelo uso de suas vozes e imagens.