Thomaz Silva/Agência Brasil

A Polícia Civil do Rio de Janeiro divulgou no começo desta semana a lista com os nomes de 115 dos 117 suspeitos mortos na megaoperação realizada nos complexos da Penha e do Alemão na semana passada. O levantamento detalha o perfil das vítimas da ação policial considerada a mais letal já registrada no país, que também deixou quatro policiais mortos.

Todos os 115 civis identificados são homens, com idades entre 14 e 55 anos e idade média de 28 anos. Aproximadamente um terço não possui o nome do pai no registro civil. Entre as vítimas estão dois adolescentes e três jovens que haviam feito aniversário na véspera da operação realizada em 28 de outubro.

O documento reúne informações de RG, CPF, fotos e perfis de redes sociais. Segundo a polícia, mais de 95% dos identificados tinham ligação comprovada com o Comando Vermelho. A análise indica que 59 possuíam mandados de prisão pendentes e pelo menos 97 apresentavam históricos criminais relevantes. Metade dos mortos tinha mandados de prisão ou de busca e apreensão.

Contudo, 17 dos mortos identificados não apresentavam histórico criminal. Destes, segundo as autoridades, 12 demonstravam indícios de participação no tráfico em redes sociais. A polícia anexou fotos de postagens onde alguns aparecem carregando armas ou usando emojis que, segundo as autoridades, fazem alusão à bandeira do Comando Vermelho.

Os outros cinco mortos não possuem anotações criminais, não figuram como autores ou envolvidos em registros de ocorrência no Rio de Janeiro e também não apresentam indícios de envolvimento com o tráfico em suas redes sociais, de acordo com a própria polícia. Um exemplo citado é Ronaldo Julião da Silva, 46 anos, natural de Campina Grande (PB), que não possuía antecedentes nem envolvimento em ocorrências policiais.

A maioria das vítimas nasceu no estado do Rio de Janeiro, mas 62 suspeitos eram de outros estados: 19 do Pará, 12 da Bahia, 9 do Amazonas, 9 de Goiás, 4 do Ceará, 3 do Espírito Santo, 2 da Paraíba e um de cada em Maranhão, Mato Grosso, São Paulo e Distrito Federal. A capital fluminense aparece em 26 casos.

Entre os mortos estava Francisco Myller Moreira da Cunha, de 32 anos, apontado como liderança do Comando Vermelho no Amazonas. Dois mortos ainda não foram identificados, com perícias inconclusivas até o momento.

A operação envolveu 2,5 mil agentes para cumprir 180 mandados de busca e apreensão e 100 mandados de prisão. Movimentos de direitos humanos classificam a ação como “chacina” e questionam sua eficácia. O caso segue sob análise das corregedorias e do Ministério Público.

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