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Lançado há pouco mais de um mês com a promessa de facilitar o acesso de taxistas e motoristas de aplicativo a veículos novos e seminovos, o programa Move Brasil ainda enfrenta dificuldades para sair do papel. Embora tenha despertado interesse entre os profissionais do setor, a iniciativa esbarra em barreiras de crédito e em problemas operacionais que impedem a conversão da demanda em vendas.

Até o fim da semana passada, a linha de financiamento havia registrado R$ 2,2 bilhões em solicitações, apenas 7,3% dos R$ 30 bilhões disponibilizados pelo governo federal. O desempenho ficou abaixo das expectativas e levou o governo a buscar ajustes para ampliar a adesão.

Nas concessionárias, o cenário é de procura elevada, mas baixa efetivação dos negócios. Em algumas lojas, a movimentação aumentou cerca de 40% após o anúncio do programa. Ainda assim, a maior parte das propostas acaba barrada na análise de crédito.

O principal desafio está no perfil financeiro dos beneficiários. Como grande parte dos motoristas atua como autônoma, muitos encontram dificuldades para comprovar renda. Além disso, inadimplência, elevado nível de endividamento e exigência de entrada elevada dificultam a contratação dos financiamentos.

Levantamento da Federação Nacional dos Sindicatos de Motoristas de Aplicativos (Fenasmapp) mostra que quase metade das reclamações está relacionada ao fato de os bancos avaliarem as operações como financiamentos tradicionais, sem considerar as garantias específicas oferecidas pelo Move Brasil. Também são citadas falhas na integração com o sistema do BNDES e critérios internos das instituições financeiras.

O contexto econômico também pesa. A taxa média de inadimplência nas operações de crédito atingiu 4,7%, o maior nível da série histórica do Banco Central. Diante desse cenário, bancos privados como Itaú e Bradesco optaram por não participar da iniciativa.

Para ampliar o alcance do programa, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil passaram a aceitar extratos das plataformas de transporte como comprovantes de renda e firmaram parcerias com empresas como 99 e Uber. Os acordos incluem programas de cashback, com devolução de parte do valor financiado aos motoristas que aderirem à linha.

Mesmo quando o crédito é aprovado, surgem novos obstáculos. Há relatos de demora na liberação dos recursos pelos bancos, atrasando a entrega dos veículos. Segundo o BNDES, parte desse problema decorre da adaptação tecnológica das instituições financeiras para operar a nova modalidade.

O desempenho inicial do Move Brasil evidencia que condições diferenciadas de financiamento, por si só, não garantem acesso ao crédito. O sucesso da iniciativa dependerá da capacidade de adaptar os critérios bancários à realidade dos trabalhadores autônomos, preservando a segurança das operações sem inviabilizar o programa.

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