Tomaz Silva/Agência Brasil

O Brasil atravessa nesta segunda-feira (29) uma onda de calor que mantém temperaturas muito acima da média histórica em diversas regiões e deve persistir até os primeiros dias de janeiro. A atuação de uma massa de ar quente e seco sustenta máximas elevadas no Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e parte do Sul, com impacto direto na saúde da população e na rotina das cidades.

No Rio de Janeiro, o calor ganhou contornos extremos nos últimos dias do ano. As temperaturas máximas têm oscilado entre 38 °C e 40 °C em diferentes pontos da capital e da Região Metropolitana. Em áreas com alta umidade, a sensação térmica ultrapassou os 50 °C em determinados momentos do dia, segundo registros meteorológicos e relatos oficiais. A previsão indica manutenção desse padrão até a virada do ano, com noites quentes e pouca queda de temperatura durante a madrugada.

Meteorologistas explicam que a combinação de calor intenso, umidade elevada e baixa circulação de ventos agrava o desconforto térmico no Rio. As pancadas de chuva previstas para o fim da tarde tendem a ser rápidas e localizadas, sem capacidade de reduzir as temperaturas de forma duradoura.

Alertas de grande perigo

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mantém alertas de calor classificados como de grande perigo em várias áreas do país. Em parte do Sudeste e do Centro-Oeste, os termômetros seguem entre 5 °C e 7 °C acima da média climatológica de dezembro. No interior dessas regiões, há registros de máximas acima dos 40 °C.

As autoridades recomendam hidratação constante, evitar exposição ao sol entre o fim da manhã e o meio da tarde e atenção redobrada a idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas, mais suscetíveis a exaustão térmica e desidratação.

Calor persistente no Sudeste

Além do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais enfrentam calor intenso. Em áreas do interior paulista e mineiro, as temperaturas também se aproximam ou superam os 40 °C. A previsão indica apenas chuvas isoladas no fim da tarde, sem impacto relevante na queda das temperaturas.

No Espírito Santo, o cenário é semelhante, com predomínio de sol forte, calor persistente e sensação térmica elevada em áreas litorâneas.

Calor
Altas temperaturas registradas também em São Paulo – Paulo Pinto/Agência Brasil

Sul combina calor e tempestades severas

No Sul do país, especialmente no Rio Grande do Sul, o calor intenso se soma a um ambiente de instabilidade. As temperaturas elevadas favorecem a formação de tempestades severas, com risco de granizo e rajadas de vento que podem ultrapassar os 100 km/h em pontos isolados. O contraste entre o ar quente e a chegada de sistemas instáveis aumenta o risco de alagamentos, queda de árvores e danos à rede elétrica.

Desigualdade térmica nas cidades

A onda de calor também expõe contrastes térmicos dentro das grandes cidades. Em São Paulo, estudos indicam que bairros separados por poucos quilômetros podem registrar diferenças de até 15 °C durante o verão, como ocorre entre Paraisópolis e o Morumbi, na zona sul da capital. O fenômeno se intensifica em dias de calor extremo, como os registrados nas últimas semanas.

Especialistas associam essa diferença ao efeito de ilha de calor urbano. Regiões com maior presença de áreas verdes, ruas arborizadas e edificações com melhor ventilação conseguem reduzir a temperatura ao longo do dia. Já bairros densamente ocupados, com grande concentração de concreto, pouca vegetação e moradias compactas acumulam calor e permanecem mais quentes, inclusive à noite.

Durante ondas de calor prolongadas, esse contraste tende a se acentuar, ampliando riscos à saúde em áreas mais vulneráveis. A combinação entre altas temperaturas, noites quentes e menor acesso a infraestrutura urbana adequada aumenta a incidência de exaustão térmica, desidratação e agravamento de doenças cardiovasculares e respiratórias, reforçando a desigualdade na forma como o calor extremo afeta a população.

Quando o calor deve perder força

As projeções indicam que a onda de calor deve persistir pelo menos até terça-feira (31), com possibilidade de avanço para os primeiros dias de janeiro em parte do país. A entrada gradual de frentes frias pelo Sul pode provocar queda pontual nas temperaturas, mas ainda não há previsão de alívio amplo e simultâneo.

Especialistas ressaltam que ondas de calor mais longas e intensas têm se tornado mais frequentes no Brasil, fenômeno associado às mudanças climáticas. Enquanto o cenário persiste, a orientação é acompanhar os alertas oficiais e adotar medidas preventivas para reduzir os riscos à saúde.

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