ONU
Acnur/Rui Padilha

Um relatório apresentado pela Organização das Nações Unidas (ONU) durante a COP30, em Belém (PA), revela que eventos climáticos extremos já forçaram 250 milhões de deslocamentos em todo o mundo na última década. O documento, intitulado “Sem Escapatória II: o caminho a seguir”, foi lançado pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) e alerta para a intersecção entre crise climática, conflitos e deslocamento forçado.

A sessão de apresentação foi conduzida por Filippo Grandi, alto-comissário da ONU para Refugiados. Segundo ele, os desastres ambientais já provocam cerca de 70 mil deslocamentos por dia, atingindo de forma mais severa populações vulneráveis, em especial as que vivem em países afetados por guerras, secas e instabilidade política. “Os deslocamentos forçados estão sendo impulsionados por múltiplas crises simultâneas, e o clima é hoje um dos fatores mais determinantes”, afirmou Grandi.

O relatório mostra que sete em cada dez pessoas deslocadas enfrentam ameaças diretas ou agravadas pelas mudanças climáticas. Em meados de 2025, o número total de deslocados forçados no mundo chegou a 117,2 milhões de pessoas, segundo o Acnur. Deste total, 75% vivem em áreas expostas a riscos climáticos altos ou altíssimos, como enchentes, desertificação e aumento das temperaturas.

Os dados indicam ainda que a quantidade de países em condição de “exposição extrema” a riscos climáticos deve crescer de 3 para 65 até 2040, o que poderá ampliar significativamente os fluxos migratórios internos e transfronteiriços. A ONU destaca que os países de baixa e média renda, especialmente na África, Ásia e América Latina, concentram a maior parte das populações deslocadas e têm menos capacidade de adaptação.

Grandi classificou a crise climática como um “multiplicador de riscos”, que agrava desigualdades e pressiona os sistemas de proteção humanitária. Ele defendeu a criação de mecanismos globais de financiamento e acolhimento para apoiar comunidades afetadas, além da integração da mobilidade climática nas políticas internacionais de migração e refúgio.

O Sem Escapatória II reforça o apelo da ONU para que os compromissos assumidos na COP30 sejam acompanhados de ações coordenadas entre governos, agências multilaterais e sociedade civil, de forma a mitigar o impacto dos desastres ambientais e proteger populações deslocadas por causas climáticas.

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