Há chances reais de Wagner Moura ganhar o Oscar?

A torcida está em polvorosa e a repercussão das indicações de “O Agente Secreto” ao Oscar, no Brasil e lá fora, são as melhores possíveis. O fato de pelo segundo ano consecutivo um ator brasileiro, por uma atuação em português, figurar entre as performances finalistas, porém, tem um carinho especial.

Wagner Moura, diferentemente de Fernanda Torres em 2025, já era um nome bem cotado para aparecer entre os cinco indicados a Melhor Ator. Esse dado por si só já sugere que suas chances de vitória são maiores do que eram as de sua conterrânea.

Mas o quão reais são essas chances? Moura é um ator experimentado em Hollywood. Alterna projetos de alto perfil, como “Sergio” (2020) e “Narcos (2015-2017), ambos da Netflix, com produções de certa ambição comercial, como “Elysium” (2013) e “Guerra Civil” (2025). Esse é um predicado que indubitavelmente conta a seu favor, principalmente em uma disputa contra quatro atores norte-americanos.

Seus rivais são Leonardo DiCaprio, em sua sétima indicação como ator, Timothée Chalamet, em sua terceira, Ethan Hawke, também em sua terceira como ator, e Michael B. Jordan, assim como Moura, estreante.

Leonardo DiCaprio talvez defenda a interpretação mais nuançada de todas. Vitorioso em 2017 por “O Regresso”, ele parece mais compor a seleção do que competir de fato. É daqueles atores que a Academia se habituou a sempre prestar atenção, mas não necessariamente premiar.

Michael B. Jordan está no filme mais indicado desta edição do Oscar, “Pecadores” e vive dois personagens – um atrativo e tanto para votos. Mas recai sobre ele aquela percepção de que “a indicação já é reconhecimento o suficiente”.

Percepção diferente atinge Timothée Chalamet, que embora seja o mais jovem entre os indicados, já soma oito filmes – em um espaço de nove anos – indicados a Melhor Filme. Ele claramente tem como foco na carreira estar no radar do Oscar. Ano passado concorreu por sua interpretação de Bob Dylan e neste ano volta com outro personagem real em “Marty Supreme”. Estatisticamente esse recorte é uma vantagem e Chalamet é disparado o que faz mais – e melhor – campanha entre os indicados. É claramente o favorito na corrida, mas o sentimento de que talvez ainda seja cedo demais para premia-lo pode ecoar na ala mais veterana e conservadora da academia.

Com Ethan Hawke, que concorre por “Blue Moon”, a história é outra. Aos 55 anos, ele pertence àquela galeria de atores que já deveriam ter ganhado – o que muitas vezes incorre em prêmios “pela carreira” por papeis imerecidos. Não é necessariamente o caso aqui. O trabalho de Hawke é de alto nível e a estatueta caberia sob qualquer ângulo. Se a vitória no sindicato dos atores, o Actor Awards (ex-SAG) vier em 1º de março, sua candidatura ganha pilares praticamente indestrutíveis.

Montagem sobre divulgação

O que nos leva às possibilidades que gravitam Wagner Moura. Para ele, estatisticamente, a vitória de Jordan ou de Jesse Plemons (“Bugonia”) no Actor seria melhor. Isso porque Plemons não concorre ao Oscar e a opção por Jordan revelaria que a disputa ainda está bem aberta.

A simpatia da ala internacional da Academia, que responde por cerca de 25% do colegiado, é outro ponto que pesa a favor de Moura, que ganhou o prêmio de ator em Cannes e desde lá tem sua candidatura burilada. Embora atuações em língua não inglesa tenham sido mais recorrentes no Oscar, as vitórias ainda são estatisticamente ínfimas. Ou seja, em termos puramente matemáticos as chances do baiano prevalecer são irrisórias.

Mas há outros componentes a serem considerados, como a novíssima categoria de Seleção de Elenco, na qual “O Agente Secreto” está indicado. Novidade, o perfil da categoria deve dilatar o olhar para as atuações e interações entre elas nos filmes selecionados, o que pode ajudar a candidatura de Moura a ganhar musculatura.

Hawke e Chalamet são as principais forças da categoria, mas é razoável enxergar Moura como um possível azarão. De chances remotas, porém, mais alicerçadas do que as de Jordan e DiCaprio.  

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