Primeiras pesquisas eleitorais de 2026 confirmam polarização entre Lula e a extrema-direita 

As primeiras pesquisas eleitorais do ano de 2026 confirmam a força da polarização entre o presidente Lula e a família Bolsonaro, agora representada por Flávio Bolsonaro, senador e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. O instituto Ideia em parceria com o portal Meio divulgou o primeiro levantamento no dia 13 de janeiro, enquanto o instituto Quaest tornou seus resultados públicos no dia 14 de janeiro.

As intenções de voto espontâneas (quando o entrevistado diz em que vai votar sem ter nenhum nome apresentado) são um primeiro retrato da força da polarização: na pesquisa Ideia, Lula marca 32% contra 9,5% de Jair Bolsonaro e 6,6% de Flávio Bolsonaro. Já na Quaest, Lula aparece com 19%, Flávio Bolsonaro com 7% e Jair Bolsonaro com 2%.  A tendência ao longo do ano é que o eleitor que hoje declara voto no ex-presidente, preso e condenado pela tentativa de golpe de estado de 08 de janeiro, migre para seu filho, o que dá conta do seu potencial de votos.

Em ambos os institutos, Lula venceria todos os demais oponentes no 1º e no 2º turno. De acordo com o instituto Ideia, no cenário de confronto entre Lula e Flávio, o presidente marca 39,7% contra 27,5% do senador. Já a Quaest testa vários cenários, quase todos com Lula e Flávio, variando os demais oponentes da direita que hoje são cotados como candidatos. O melhor desempenho de Lula é no cenário 4, em que ele marca 40%, Flávio Bolsonaro alcança 23% e Tarcísio de Freitas chega a 14%. O curioso é que o pior desempenho de Lula é justamente no cenário sem Tarcísio, considerado pela grande mídia, pelo empresariado e pelos dirigentes dos partidos da direita tradicional como supostamente o mais competitivo: Lula tem 35%, Flávio Bolsonaro 26% e em terceiro vem Ratinho Jr, governador do Paraná, com 9%.

Por fim, apesar de altamente improvável, vale o registro do cenário testado sem Flávio Bolsonaro. Na pesquisa Ideia, Lula tem 40,2% e Tarcísio chega a 32,7%. Já o cenário Quaest sem Flávio tem os seguintes números: Lula com 39% e Tarcísio com 27%.

Um dado que soou estranho na pesquisa Quaest foi o baixo índice de indecisos na pergunta espontânea. Enquanto na Quaest 68% dos entrevistados não souberem indicar um candidato – o padrão histórico das pesquisas eleitorais no Brasil é esse –, na pesquisa Ideia apenas 27,4% não souberam responder. Assim, por esse instituto, nomes mais fracos como o governador de São Paulo Tarcísio de Freitas apareceu pontuando 6,1%, enquanto na Quaest todos os demais nomes somam 4%.

Outro ponto estranho da pesquisa Ideia foi testar o primeiro cenário estimulado (quando as pessoas recebem as opções de candidaturas para escolher) excluindo Flávio Bolsonaro. É razoável que, neste começo de ano e até abril (prazo para descompatibilização dos cargos dos governantes que quiserem disputar as eleições), os institutos testem cenários alternativos. Mas o patamar de votos de Flávio Bolsonaro já nos permite afirmar que ele é o principal oponente de Lula, sendo este, portanto, o primeiro cenário a ser testado.

Na comparação com os dados que vieram de 2025, os números do Instituto Quaest estão mais alinhados do que os dados do Ideia. Neste instituto o governador Tarcísio aparece “inflado”, com mais votos do que vem registrando no conjunto das pesquisas dos mais variados institutos tanto na espontânea (em que aparece com extraordinários 6%) quanto na estimulada, em que pontua cinco pontos a mais do que na Quaest. A hipótese deste texto é que o instituto Ideia vai convergir seus números nos próximos meses, baixando assim as intenções de voto do governador de São Paulo.

Essa hipótese reforça por outros indicadores que a pesquisa Quaest trouxe: por exemplo, quando perguntados se Bolsonaro errou ou acertou ao indicar Flávio Bolsonaro como candidato, o eleitor de direita apoia majoritariamente essa decisão. O índice de apoio na direita bolsonarista subiu de 78% em dezembro de 2025 para 87% em janeiro de 2026 e na direita não bolsonarista subiu de 55% em dezembro de 2025 para 62% em janeiro de 2026, confirmando a tendência de consolidação da candidatura do senador fluminense.

No mesmo sentido, quando perguntados se Flávio Bolsonaro vai até o fim ou se vai negociar sua candidatura, para 54% ele está no pleito para valer, um crescimento de cinco pontos diante dos 49% que tinham essa opinião em dezembro de 2025. Já o número de quem acha que ele vai retirar caiu de 38% em dezembro de 2025 para 34% agora em janeiro de 2026.

Concluindo, o ano de 2026 começa como 2025 terminou: os campos políticos da esquerda com Lula e da extrema-direita com Bolsonaro lideram a corrida e vão consolidando a polarização, enquanto a direita tradicional seguirá sem protagonismo no plano nacional. Este campo, em aliança com a Faria Lima e com a mídia, buscará até março reverter o quadro atual, promovendo a tese de que Tarcísio seria o único candidato capaz de vencer Lula no 2º turno e pressionando Flávio Bolsonaro para retirar.

O problema desta tese é que o bolsonarismo é o campo que tem os votos e isso está vinculado à liderança da família Bolsonaro. Manter a candidatura de Flávio em 2026, é crucial para a sobrevivência do Clã Bolsonaro, não apenas no curto prazo, mas mirando o médio prazo, uma vez que as eleições de 2030 não terão mais a presença de Lula nas urnas.

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