São as pesquisas de março confirmando a polarização

Uma chuva de pesquisas sobre as eleições presidenciais chegou no mês de março, com Datafolha divulgado em 08 e 09 de março, Ideia e Quaest em 11 de março. A partir dos resultados, a cobertura da grande mídia busca cristalizar interpretações negativas para Lula e positivas para a direita, tanto para Flávio Bolsonaro quanto para as chamadas terceiras vias. Mas o que a análise dos dados mostra é a confirmação da polarização, com Lula mostrando força em meio às tempestades que são típicas da pré-campanha.

Antes dos números, é importante reforçar que a corrida eleitoral presidencial é como um campeonato de futebol de pontos corridos, com muitas rodadas a serem jogadas. Nessa maratona, é normal que um time sofra gols e derrotas e viva fases piores. O que não se pode é concluir que um eventual momento ruim é a tendência de futuro.

Chegando aos números, os institutos convergem para um cenário polarizado. Isso aparece na avaliação de Lula, com empate técnico na avaliação positiva e negativa:

Data Folha – Aprovação de Lula

Aprova – 47% – era 49% em dezembro de 2025

Desaprova 49% – era 48% em dezembro de 2025

Ideia – Aprovaçào de Lula

Aprovo 47,2% – era 46,6% em fevereiro de 2026

Desaprovo 50,5% – era 51,4% em fevereiro de 2026

Quaest – Aprovação de Lula

Aprovo 44% – era 45% em fevereiro de 2026

Desaprovo 51% – era 49% em fevereiro de 2026

A polarização é reafirmada nos três institutos com as intenções de voto espontâneas, que são um indicador mais consistente da força eleitoral dos candidatos neste momento em que as pessoas ainda não estão pensando em eleições. Lula e Flávio Bolsonaro lideram e nenhum outro candidato pontua de modo expressivo. A única figura que ainda aparece é Jair Bolsonaro, o que mais uma vez confirma a polarização.

Data Folha – Espontânea

Lula 25% – era 24% em dezembro de 2025

Flávio 12% – não apareceu em dezembro de 2025

Jair 3% – era 7% em dezembro de 2025

Ideia – Espontânea

Lula – 33,4% – era 33% em fevereiro de 2026

Flávio 18,5% – era 16,3% em fevereiro de 2026

Jair 7% – era 8% em fevereiro de 2026

Quaest – Espontânea

Lula – 19% – eram 18% em fevereiro de 2026

Flávio 10% eram 10% em fevereiro de 2026

Também no indicador que mede a rejeição a polarização dá o tom no Datafolha, Ideia e Quaest, com empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro:

Datafolha Rejeição

Lula 46%

Flavio 45%

Ideia Rejeição

Lula 46,4%

Flávio 42,6%

Quaest Rejeição

Lula 56%

Flávio 55%

Os cenários de 1º turno e 2º turno testados pelos  institutos vão na mesma direção: no 1º turno, Lula lidera em todos, seguido por Flávio, com uma distância que varia de 7% a 1%, enquanto no 2 turno as simulações apontam para empate técnico.

Para além da chuva de números, é possível extrair notícias boas e ruins para a reeleição de Lula, entendida aqui como a candidatura da frente ampla democrática capaz de derrotar o autoritarismo dos Bolsonaro nas urnas em 2026.

A primeira boa notícia veio do Datafolha, que perguntou sobre o arrependimento do voto: 90% dos entrevistados não se arrependem do voto em 2022. Entre os eleitores de Lula, são 91% que não se arrependem. Isto significa que, no cenário polarizado contra os Bolsonaro, Lula tem condições de repetir o cenário da última eleição e vencer. Outra boa notícia está nas intenções espontâneas em que Lula confirma um voto consolidado.

A má notícia para Lula é o mal humor do eleitorado com a economia, que é algo comum no começo de ano, quando as pessoas precisam pagar impostos como o IPVA e o IPTU, convivem com aumento nas mensalidades e materiais escolares, além de um aperto de contas devidos aos gastos de final de ano.

Ideia – Mal Humor com a economia

A economia piorou para 44,1% – eram 41% em fevereiro de 2026

Ficou do mesmo jeito para 20.9% – eram 22% em fevereiro de 2026

A economia melhorou para 32,3 % eram 35% em fevereiro de 2026

Quaest – Mal humor com a economia

A economia piorou para 48% – eram 43% em fevereiro de 2026

Ficou do mesmo jeito para 26% – eram 30% em fevereiro de 2026

A economia melhorou para 24% e continua em 24% em fevereiro de 2026

A tendência é que essa perpceção do eleitorado mude até o começo das eleições por duas razões. Primeiro, porque o governo terá mais tempo para trabalhar seus feitos. Todos os governos melhoram sua avaliação no ano eleitoral por conta disso. Segundo, porque as pessoas estarão pensando mais nas eleições na medida em que o processo eleitoral se aproxima, o que favorece a associação entre os feitos do governo e o candidato à reeleição. Todos os candidatos à reeleição aumentam suas intenções de voto no ano eleitoral por causa disso.

Mas é fato também que, devido à força que a extrema-direita vem apresentando, esse mal humor precisa ser enfrentado com luta política e mobilização por parte do governo e do campo democrático. Diante da mobilização que o bolsonarismo produz nas redes e nas ruas, se o governo esperar passivamente que as pessoas identifiquem o que o governo faz com uma melhora da própria vida, vai terminar frustrado. O exemplo da isenção do IR é bem ilustrativo disso. Na Quaest, apenas 31% declaram que foram beneficiados pela medida. Sem que o governo faça a disputa política, as pessoas beneficiadas ficam restritas ao terço do eleitorado que se identifica com a esquerda.

Nos próximos meses, as esquerdas têm a oportunidade de promover essa mobilização a partir de pautas estratégicas como o fim da Jornada 6 x 1 e o pacto contra o feminicídio – tema fundamental para que Lula repeta o desempenho de 2022 no voto feminino, decisivo para a vitória eleitoral.

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