Montagem sobre divulgação

Falar da inclinação à diversidade e ao cinema internacional no Oscar virou lugar comum. Essa bem-vinda “novidade” é maior a cada ano e em 2026 se verifica com as fortes presenças de filmes como “Sirât”, “Foi Apenas um Acidente”, “A Meia-Irmã Feia”, “O Agente Secreto” e “Valor Sentimental”, os dois últimos também lembrados em Melhor Filme.

O grande destaque desta edição do Oscar, porém, reside no amplo espaço concedido à Warner Bros., responsável pelos dois principais filmes da edição, “Pecadores” e “Uma Batalha Após a Outra”, que recebeu chocantes 30 indicações. “Pecadores” tornou-se o filme mais indicado da história da premiação com 16 nomeações, superando um recorde estabelecido em 1950 por “A Malvada” e igualado por “Titanic”, em 1998, e “La La Land”, em 2017.

Essa realidade se impõe em meio às turbulentas negociações que pautam a venda da Warner para a Netflix. A Paramount, convém lembrar, tenta atravessar o negócio. O Oscar 2026 ocorre sob a sombra de uma negociação capaz de alterar o funcionamento e a dinâmica de Hollywood para sempre. Por isso a configuração do Oscar importa.

A Netflix também saiu-se bem. Há dois filmes da plataforma concorrendo a Melhor Filme (“Frankenstein” e “Sonhos de Trem”) e presença robusta em categorias técnicas e de prestígio como Documentário e Animação, onde o fenômeno “Guerreiras do K-Pop” é o grande favorito.

Outro ponto que vale nota é a presença do cinema de gênero, outrora preterido pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, que mostra força com “Pecadores” e “Frankenstein”. “Pecadores” também se tornou o filme a ofertar mais indicações para artistas negros na história. Ryan Coogler se tornou apenas o terceiro negro a receber indicações múltiplas por um mesmo filme. Ele concorre como produtor, diretor e roteirista e se soma a Jordan Peele e Spike Lee nesta estatística. Mais: Ele tornou-se o sétimo negro indicado na categoria de Direção.

Já o diretor de “Frankenstein”, o mexicano Guillermo Del Toro, embora tenha ficado de fora da disputa entre os diretores, tornou-se o produtor latino mais indicado da história do Oscar.

São dados que ajudam a entender o ambiente em que o Oscar 2026 se manifesta. Apesar de “Pecadores” ostentar todas essas marcas históricas, o favorito é “Uma Batalha Após a Outra”. O filme captura o inconformismo político que se comunica com o zeitgeist da América e Paul Thomas Anderson é um dos grandes autores norte-americanos que ainda não ganharam o Oscar. Não há pecado que tire a estateta dourada dele.

Veja também