
A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas vive um momento de transformação profunda, impulsionado por um movimento de internacionalização que vem redefinindo o perfil do Oscar. Em uma de suas últimas aparições públicas antes do anúncio dos indicados à 98ª edição da premiação, o CEO da instituição, Bill Kramer, destacou que a cerimônia precisa se tornar cada vez mais “legendada”, refletindo a diversidade cultural e linguística do cinema mundial.
Durante participação no Festival Internacional du Film de Marrakech, Kramer afirmou que a presença crescente de produções não faladas em inglês nas principais categorias é resultado direto da globalização da Academia. Atualmente, cerca de 25% dos mais de 11 mil membros não são dos Estados Unidos — proporção que deve aumentar com a entrada anual de até 200 novos integrantes internacionais. Segundo ele, esse movimento amplia o olhar da instituição para cinematografias do Oriente Médio, África e América do Sul, como demonstrado pela presença do brasileiro “Ainda Estou Aqui” entre os destaques recentes.
Kramer atribuiu parte dessa mudança ao impacto do streaming e à alteração dos hábitos de consumo após a pandemia. Para o executivo, o público passou a assistir em casa a filmes que antes não chegariam às salas comerciais, reduzindo barreiras culturais e linguísticas. Ele também reconheceu que debates sobre diversidade, como o movimento #OscarsSoWhite, aceleraram a revisão de práticas internas.
A Academia prepara ainda novidades estruturais. A cerimônia de 2026 será a primeira a premiar a melhor direção de elenco, enquanto o centenário do Oscar, em 2028, marcará a estreia da categoria de melhor direção de dublês; um reconhecimento a um trabalho historicamente invisibilizado, mas essencial para produções de todos os gêneros.
Kramer afirmou que a instituição está mais preparada para lidar com imprevistos em transmissões ao vivo, lembrando episódios como o anúncio errado de “La La Land” como Melhor Filme em 2017 e o tapa de Will Smith em 2022. Para ele, a espontaneidade — e até a controvérsia — fazem parte da força cultural do Oscar.