
Movimentos sociais, partidos de esquerda, influenciadores e entidades sindicais convocaram atos em diversas regiões do país após a aprovação do PL da dosimetria na Câmara dos Deputados e a escalada de tensões no Congresso. O principal ato está confirmado para domingo (14) em São Paulo, mas organizadores afirmam que a mobilização deve se espalhar para outras capitais e centros urbanos ao longo do fim de semana, repetindo a dinâmica observada nos protestos contra a PEC da Blindagem e o PL da Anistia.
A convocação ocorre em meio ao aumento das críticas à condução das duas Casas Legislativas, especialmente após episódios de violência na Câmara nesta semana. Na terça-feira (9), o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) foi retirado à força do plenário por ordem do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), que também determinou a retirada de jornalistas e servidores e a interrupção das transmissões oficiais. O episódio ampliou discussões sobre transparência, garantias institucionais e limites da atuação da presidência da Câmara, com manifestações de repúdio de entidades da imprensa e de parlamentares.
O foco dos protestos é a atuação de Motta e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Organizações afirmam que a cúpula do Congresso acelerou projetos considerados regressivos do ponto de vista institucional e penal, conduzindo votações sensíveis sem diálogo com setores afetados. A aprovação do PL da dosimetria, que reduz penas para condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), intensificou a mobilização e reforçou a percepção de que decisões recentes do Congresso impactam diretamente mecanismos de responsabilização.
A articulação dos atos segue padrão já visto em setembro, quando manifestações nacionais contribuíram para o desgaste político da PEC da Blindagem, posteriormente retirada de pauta no Senado. Agora, parlamentares governistas, movimentos populares e influenciadores afirmam que as mobilizações buscam pressionar o Legislativo diante de decisões que, segundo eles, ampliam tensões com a imprensa, reduzem freios institucionais e fortalecem a posição de grupos alinhados à oposição.
As manifestações ocorrem em um ambiente de desgaste crescente entre setores progressistas e o Congresso, marcado por disputas internas, conflitos regimentais e estratégias da oposição para avançar projetos de interesse direto de lideranças parlamentares. Segundo analistas, a combinação entre decisões legislativas controversas e conflitos no Plenário, em um contexto de disputa política ampliada, sugere que os atos de rua seguirão como componente relevante do debate institucional.