
O Papa Leão XIV afirmou que a intensificação dos conflitos armados representa uma ameaça direta à humanidade e pediu que líderes mundiais priorizem a diplomacia, a mediação e o respeito ao direito internacional como caminhos para conter a violência. A declaração foi feita durante sua primeira viagem internacional, nesta quinta-feira (27), que incluiu compromissos na Turquia e no Líbano, com uma agenda voltada ao diálogo inter-religioso, à situação humanitária no Oriente Médio e à defesa de populações vulneráveis.
Em pronunciamentos diante de autoridades civis, representantes religiosos e fiéis, o pontífice destacou que a normalização da guerra corrói valores essenciais e amplia o sofrimento de civis, especialmente em áreas marcadas por ataques a infraestruturas básicas, deslocamentos forçados e colapso de serviços de saúde. Segundo ele, a comunidade internacional deve agir de forma coordenada para garantir corredores humanitários, proteção a hospitais e escolas e a retomada consistente de negociações políticas.
Durante a passagem por Ancara, o Papa manteve encontro institucional com o presidente turco Recep Tayyip Erdoğan. Sem centralizar a agenda no líder turco, a reunião foi descrita pelo Vaticano como parte do esforço diplomático para reforçar a estabilidade regional. Erdoğan elogiou a postura do pontífice em relação à questão palestina e à defesa dos direitos humanitários, ressaltando a importância de iniciativas públicas que contribuam para a redução das tensões no Oriente Médio.
O roteiro incluiu ainda uma visita ao Hospital Psiquiátrico De La Croix, no Líbano, onde o Papa destacou a necessidade de visibilidade e cuidado contínuo aos pacientes em situação de abandono e aos profissionais de saúde mental. A presença no local foi interpretada como um gesto de reconhecimento às vítimas silenciosas de crises prolongadas, em um país afetado por instabilidade econômica e pressão sobre o sistema de saúde.
A mensagem central do pontífice aponta para uma crítica à escalada belicista e à fragilização de mecanismos multilaterais de paz, ao mesmo tempo em que conclama governos e organizações internacionais a restaurar a confiança por meio de ações concretas de cooperação, reconstrução e garantia de direitos fundamentais.