Sabino
Lula Marques/Agência Brasil

O União Brasil decidiu, nesta segunda-feira (8), expulsar o ministro do Turismo, Celso Sabino, após meses de conflito entre a cúpula partidária e o integrante do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A decisão, aprovada de forma unânime pela executiva nacional, encerra o processo disciplinar aberto depois que Sabino desobedeceu a determinação para que filiados deixassem cargos no Executivo federal.

O partido havia estipulado, em setembro, que todos os seus quadros deveriam se desligar do governo Lula sob pena de infidelidade partidária. Sabino chegou a comunicar sua demissão ao presidente e divulgou uma carta de saída, mas recuou dias depois e permaneceu no comando do Turismo, movimento que ampliou o desgaste interno.

Cálculo eleitoral e COP30 ampliaram crise

Aliados relatam que a permanência de Sabino na pasta foi influenciada por interesses eleitorais de 2026. O ministro, deputado federal licenciado pelo Pará, pretende disputar uma vaga no Senado e calcula que a visibilidade proporcionada pela COP30, realizada em Belém (PA), serviria para fortalecer sua pré-candidatura. A aposta contrariou a direção do União, que decidiu afastá-lo de funções partidárias e destituí-lo do diretório estadual ainda em outubro.

No Pará, Sabino enfrenta um cenário adverso. O governador Helder Barbalho (MDB) articula uma chapa ao Senado com o presidente da Assembleia Legislativa, Chicão (MDB), o que reduz o espaço político do ministro.

Reação de Sabino

Após a expulsão, Sabino disse, em transmissão ao vivo, que deixa o partido “de cabeça erguida”, afirmando ter sido “injustiçado”, mas defendendo ter tomado “a decisão correta”. Ele reiterou apoio ao presidente Lula e disse que seguirá negociando uma nova filiação partidária para viabilizar sua candidatura ao Senado.

“Saio com o sentimento de que fui injustiçado, mas tenho certeza de que tive coragem. O julgamento será feito pela história e pelo povo do Pará”, afirmou. O ministro também destacou ter “ficha limpa” e classificou o governo atual como “o melhor projeto para o Brasil”.

Impacto sobre o mandato e próximos passos

Por ter sido expulso — e não ter deixado a sigla por vontade própria —, Sabino não perde o mandato de deputado federal, segundo jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ele permanece apto a se filiar a outro partido e continuar como ministro até o prazo de desincompatibilização eleitoral, em abril de 2026.

A direção nacional do União Brasil confirmou que o diretório paraense será comandado por uma comissão interventora. Em nota oficial, afirmou que a expulsão decorre de “atitude contrária” às determinações partidárias e à decisão de romper com o governo.

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